Para agendar, lançamento: O Mundo Varzeano de Manoel Rodrigues de Melo, de Maria da Salete Queiroz da Cunha

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Maria da Salete Queiroz O Mundo varzeano conviteDurante as grandes cheias a Várzea se inunda. Os algodoais, os pastos, as ervas, tudo apodrece e morre sob a friagem das águas.

As reses tresmalhadas, se não encontram mão salvadora que as empurre para os tabuleiros e ariscos, juntando-as ao grosso do gado desilhado, nos primeiros dias de cheia, ficam sujeitas aos piores vexames, desde o frio à fome e até á morte.

A cheia de 1917 foi uma das maiores já registradas na crônica das cheias do rio Açu;

E a história da Novilha Doida é uma das mais originais que se conhece na região do baixo-vale.

Era uma rês lisa-alvaçã, mocha, pertencente à fazenda de Filipinho. Mereceria, pela côr, pelo porte, pelos sinais, por todos os detalhes da sua fisionomia crioula, a designação apropriada de FLOR DO PASTO, dada pelos fazendeiros varzianos às reses mais bonitas de suas fazendas.

A cheia de 1917 colhe de chofre a novilha mocha no seio da Várzea, sem poder seu dono recambiá-la aos tabuleiros e ariscos da região. E a Novilha mocha ficou ilhada, isolada do gado, sem pasto para comer, alimentando-se de ervas encharcadas e podres, de tronco de perrexil, de mistura com a terra molhada da Várzea. Dias depois, a população foi despertada por um acontecimento inédito na vida fazendeira da Várzea. …

Página 112, Várzea do Açu, M. Rodrigues de Melo, 2ª edição, Livraria Agir Editôra, 1951, Rio de Janeiro

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