A Baía das Tartarugas, em Um Rio Grande e Macau, de Getulio Moura

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Baía das Tartarugas

 

Ninho de tartarugas na praia de Soledade em 2012.Foto: Claudio Gia

Ninho de tartarugas na praia de Soledade em 2012.
Foto: Claudio Gia

Existem referências de dois lugares com nome Tartarugas: Baía das Tartarugas e Buraco das Tartarugas, ou Tortugas, ente os séculos 16 e17. O primeiro se localizava no Rio Grande do Norte, disse Gabriel Soares, e o segundo no Maranhão, contaram Frei Vicente de Salvador e Eugênio de Castro.

Nos mapas de Reinel (1516) e Viegas (1534), a baía das Tartarugas é indicada na costa do Rio Grande do Norte. Nos mapas de Diogo Homem (1558) e Luis Lázaro (1563), a baía das Tartarugas está entre os Baixos de São Roque e o rio Ipanin (rio Mossoró).

Em 1587, a costa potiguar descrita por Gabriel Soares de Souza, no seu Tratado Descriptivo do Brasil. Nele, a Baía das Tartarugas está a 4 léguas a oeste do rio Grande (Rio Açú) e 8 léguas a leste do rio Ipanin (Rio Mossoró).

O mapa de Willem Janszonn Blaeu, de 1630, também localiza essa baía no Rio Grande do Norte, nas proximidades do delta do Açu.

Na segunda referência, o Buraco das Tartarugas se localizava no litoral do Maranhão, como descreveram Frei Vicente de Salvador e uma das cartas de João Teixeira Albernaz, no início do século 17.

Autorizado pelo Governo Geral do Brasil a expulsar os franceses e colonizar o Maranhão, em 1612 “(…) Jerônimo de Albuquerque, que mandou com 100 homens por mar (…) o qual, discorrendo a costa avante do Ceará, foi até o Buraco das Tartarugas e ali fez uma cerca e deixou um presídio…”,. Numa segunda viagem, em 1614, Jerônimo de Albuquerque foi “ao Buraco das Tartarugas, onde havia deixado o presídio…” Noutra referência, Frei Vicente de Salvador conta que partiram de Pernambuco três capitães comandados por Francisco Caldeira de Castelo Branco, no dia 10 de junho de 1615; dia 14 eles chegaram em Mucuripe (Ceará) e dia 17 aportaram no Buraco das Tartarugas.

Considerando as distâncias informadas por Gabriel Soares, no seu Tratado Descriptivo do Brasil, a Baía das Tartarugas se localizava a oeste da foz do rio das Conchas, n o município de Porto do Mangue. Levando-se em conta a geografia do litoral, apesar da constante dinâmica dos ventos, da movimentação de dunas e transformação dos pontais das penínsulas, certamente a referida baía existiu entre o rio Tubarão e o delta do rio Açu.

Mapa de 1558 de Diogo Homem

Mapa de 1558 de Diogo Homem

 

Também há uma certa coincidência entre essas duas (Buraco e Baía das) Tartarugas e a origem do povoado de Soledade (município de Macau) Antigamente esse lugar se chamava Presídio, localizado ao sul do Morro Vermelho. Esse foi o único dado antigo desse lugar, resgatado por Câmara Cascudo. Os idosos de Soledade ainda se lembram, que os seus avós falavam que esse era o nome antigo do lugar e que do Morro Vermelho até o Pontal do Anjo, em época certa do ano, muitas tartarugas faziam desova ao longo da praia, porém nada mais sabem sobre o antigo Presídio.

As tartarugas desapareceram daquela praia. Em raras ocasiões, elas são arrastadas pelas redes dos pescadores, como esse recente acontecimento, noticia num jornal da Petrobras: “Uma tartaruga foi salva por empregados da UM-RNCE [Petrobras] na praia de Soledade (…) Capturada por pescadores, a tartaruga foi encontrada pelo operador Odeilson que comunicou a Getúlio Moura, do SMS (…) Após explicações sobe a ilegalidade da captura e a necessidade da preservação da espécie, a tartaruga foi liberada”.

Pelas características do Rio Grande citado por Gabriel Soares, trata-se do rio Açu. Com esse nome era conhecido o atual rio Potengi, desde a criação das capitanias hereditárias; e o rio Açu era conhecido como Guararug, no início do século 17. Naquela época, a foz do Açu era o limite ente as capitanias do Rio Grande e Ceará, apenas as fozes do rios eram conhecidas. Só depois do contato com os índios tarairiús é que os portugueses comprovaram o que os potiguares diziam sobre o rio Piranhas/Açu. Esse é o maior rio do estado. Sua nascente fica na serra do Bongá, sudoeste da Paraíba., divisa com o estado do Ceará, e sua foz é o delta do Açu, nos município de Macau e Porto do Mangue.

Páginas 45 e 46 da obra: Um Rio Grande e Macau – cronologia da história geral – autor: Getulio Moura;  Imperial Casa Editora da Casqueira, Macau-RN, 2005.

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