Holandeses, tapuias e salinas em Hermann Wätjen

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tapuias danca Albert Eckout sec 17No outomno de 1637 poude João Mauricio registrar um novo sucesso. Enviados das tribus indigenas residentes no Ceará e no Norte do Rio Grande, apresentaram-se em Recife para pedir ao Statthalter a sua libertação do jugo portuguez e sujeição á dominação hollandeza. Como penhor da sinceridade do seu pedido, offereceram elles ao Principe reféns, para maior garantia, filhos de dois chefes de tribu. João Mauricio acquiesceu á petição desses aborigenes, e, em meiado de Outubro, enviou ao Ceará o Major Joris Garstman com duas companhias de soldados, ás quaes logo se rendeu o pequeno reducto portuguez, chamado “Forte” ou “Fortaleza”. Á guarnição hollandeza ahi então instalada foi recommendado manter as bôas relações dos Indios Tapúyas, e envidar todos os esforços possiveis no intuito de grangear entre os naturaes grande número de amigos para a causa hollandeza. Os primeiros comunicados procedentes de Fortaleza revelaram-se muitos auspiciosos. Fallavam de grandes marinhas de sal e abundancia de âmbar pardo-claro, achado nas praias; de sorte que Governador e Conselho logo começaram a nutrir esperanças quanto á nova acquisição. Mas o relatorio despido de phantasias, do Commissario van Ham, para lá enviado, veiu dissipar todas as illusões do Governo. Ahi se acha escripto textualmente: “O solo pedregoso e falto d’agua e matto não se presta á lavoura e trabalhos de plantio. É mais appropriado á criação de gado, que se revela prospera em muitas regiões do Ceará. As amostras de sal apresentadas deram a conhecer tratar-se de um producto de somenos valor, de cuja remessa para a Hollanda não havia cogitar”. Ham advertiu igualmente o Governo contras as representações accentuadamente exaggeradas da presença do âmbar em grandes quantidades. “Consegui vêr”, disse elle, “apenas quatro pedacinhos que não pesavam reunidos, mais de três onças, comquanto tenha ouvido dizer que se remete clandestinamente ambar para o Rio Grande e Parahyba. A maior desillusão me causou a população deste lugar. He is een hoopen jong, wilt ende godtloos volck” (É uma multidão de gente nova, selvatica e sem temor a Deus).

Páginas 156 a 158 da obra O domínio colonial hollandez no Brasil – um capitulo da historia colonial do século XVII – de Hermann Wätjen, 1938, Brasiliana – volume 123,  Biblioteca Pedagógica Brasileira, São Paulo, Companhia Editora Nacional.

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