Lançamento: Metamorfose, de Aldenira de Oliveira

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29 de junho de 2013 às 19:30 horas no Complexo Literário Benito Barros

A poesia de Aldenira de Oliveira

Metamorfose Aldenira de OliveiraAldenira é assim: onde nós vemos uma rua singela, ela vê poesia. É o olhar de quem vê o que existe dentro das coisas e sabe transmitir.

Há muitos anos em Barreiras penso que aprendi uma lição. Conversando com uma senhorinha do rosto em carquilhas e cabelos branquinhos, bem velhinha e que morava nas fraldas das dunas, ela me dizia do encantamento das manhãs de Barreiras, “Todos os dias o sol brota naqueles manguezais e as garças voam para o Pontal do Anjo”, me disse “E à noite o céu emenda com a terra, mas antes, todas as ovelhas recolhem-se na segurança dos apriscos”. “Meu filho, aqui tudo é muito belo, basta você olhar e ver”.

Penso que aprendi muito naquele dia de vento e sol naquelas dunas que hoje nem estão mais lá. Voltei, anos depois e a senhorinha morrera. Restou sua lembrança e poesia em todos os lugares.          De Claudio Guerra para o baú de Macau

 

 

 

 

 

À Minha Algaroba

 

A caminho de casa,

Bem no meio do caminho,

Majestosa ela permanece desde

O meu tempo de menina…

E todos os dias, contemplo-a como se fosse

A primeira vez!

 

A caminho de casa,

Encho os olhos com a algaroba

Mais linda que eu já vi.

 

A caminho de casa,

Vou encontrando mais algarobas,

Cabeças-vermelhas, pardais,

Bem-te-vis, anuns,

Garças, sabiás,

Pescadores…

 

A caminho de casa,

Antes que a vista não possa alcançar,

Olho outra vez a minha algaroba,

Lá longe, majestosa.

 

Aldenira de Oliveira, Metamorfose, página 23, Imperial Casa Editora da Casqueira, 2013.

 

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