A história da água em Macau por Getulio Moura – parte 2

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No livro Um Rio Grande e Macau, o autor Getúlio Moura descreve algumas tentativas para descobrir água potável em Macau.

Busca d’água no subsolo [parte 2]

 

Em 1968 foi perfurado mais um poço, na atual rua Castro Alves [na época um prolongamento da rua da Gameleira, atual Marechal Deodoro]. Dessa vez foi usada uma perfuratriz potente, uma sonda da CPRM – Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais. Juntava gente, principalmente à noite, para ver o trabalho de perfuração. O resultado final apresentou água surgente, com temperatura em torno de 60 graus centígrados, com odor, não potável. Mas servia para o “gasto”. Deixaram um pedaço de tubo horizontal, jorrando água quente para o solo.

p.132 Um Rio Grande e Macau de Getúlio Moura

p.132 Um Rio Grande e Macau de Getúlio Moura

Claudio Guerra, 1982, poco da Marechal, arquivo o bau de macau

Claudio Guerra, 1982, poco da Marechal, arquivo o bau de macau

Foi logo após a perfuração desse poço que surgiram as “roladeiras”, um barril onde eram fixadas duas tiras de borracha grossa, paralelas, na circunferência do barril, para que ele rolasse sobre essas “rodas”, era empurrado através de um “varão”, um vergalhão em “U”, com as extremidades acopladas em pontas de eixo nas laterais [tampas fixas do barril].

No poço se formavam longas e barulhentas filas de “roladeiras” e de latas, e aconteciam tumultos e brigas, como nas cisternas. Também vieram pessoas de várias lugares, de cidades distantes, para lavar suas feridas e micoses, quando souberam que outras haviam se curado de problemas de pele, banhando-se ali.

Passaram-se quase 30 anos surgindo água desse poço. A rua Castro Alves, onde ele foi perfurado, ficou conhecida como “rua do Poço”. Na metade da década de 1990, fizeram dele uma “fonte”, porém, pouco tempo depois o poço parou de jorrar. Página 132

 

 

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