O fim dos subsídios dos juros e o Banco do Brasil de Macau

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Década 1920, Prensa de Algodão em Macau, arquivo: Leão Neto

Década 1920, Prensa de Algodão em Macau, arquivo: Leão Neto

No bojo do processo da chamada “interiorização da economia brasileira” na década de 1960 muitas agências do Banco do Brasil foram criadas e entre ela a de Macau-RN. Instalada no antigo Quadro do Mercado, no prédio onde hoje funciona um supermercado, deu início ao empreendimento importante para a região. Posteriormente foi construído o grande prédio junto ao rio Assú, onde funciona até hoje. Trabalhei no Banco do Brasil de Macau por quase 15 anos exercendo cargos na gerencia média. Creio que o Banco do Brasil contribuiu muito com o desenvolvimento da região até tornar-se um mero banco comercial na década de 1990. Um dos episódios prejudiciais mais marcantes foi a retirada do subsídio dos juros para os pequenos produtores [com certeza, orientação da Booz-Allen] . Eles plantavam algodão arbóreo consorciado com lavoura de milho e feijão e sempre tinham produção. Com a retirada do subsídio os financiamentos ficaram proibitivos para os pequenos produtores. Dos quase 2.000 contratos que fazíamos todos os anos, estes foram reduzidos a pouco mais de uma dezena. Os pequenos produtores sem ter como plantar, migraram, engrossando o cordão de miséria dos entornos das cidades. Hoje, pequenas e grandes cidades possuem os cinturões de miséria formados por essa expulsão “branca” dos camponeses. O problema só não foi mais grave em razão da atuação do MST, o Movimento dos Sem Terra que encaminha muito bem a luta pela terra e pela cidadania. Nem a praga do bicudo do algodão prejudicou tanto os camponeses nordestinos como a retirada do subsídio dos juros do financiamento.

De Claudio Guerra para o baú de Macau  

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