O canto do galo

Amor agarradinho. Foto de Clarissa Guerra

Dos verdes campos do Taipú, onde outrora os nosso irmãos tapuios, primeiros donos dessa terra, se escondiam da cobiça e maldade de portugueses, espanhóis, franceses e holandeses, vem a poesia doce, bela e carregada de mistérios do poeta macauense Horácio Paiva.

O CANTO DO GALO

Alvíssaras! – grita o galo

mas logo encerra o canto

e a revelação se desfaz.

Repete o galo: alvíssaras!

A madrugada se inclina

e nova ilusão se esvai.

Rompendo a trégua escura

o canto do galo intriga:

profana o mistério insondável

e deixa virgem a madrugada.

(Horácio Paiva)