Macau não pode continuar como laboratório de roubo do dinheiro do povo

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Macau não pode continuar como laboratório de roubo do dinheiro do povo

Vivi 19 anos em Macau, de 1981 a 2000 e desde que cheguei vi que as marcas das ditaduras, em especial a de 1964 a 1985 estavam fincadas na cidade, apesar do povo acolhedor e simpático. A perseguição política aos trabalhadores e depois o desemprego em massa deixaram sequelas que foram aprofundadas por frustrações como a  Alcanorte e os royalties do petróleo, dentre outras.

A mobilização popular que hoje se vê na cidade —  que deve ser um exemplo para o restante do Brasil — é o grito enroscado na garganta pelas esperanças perdidas. Insisto no assunto:  é inaceitável que Macau  — uma das maiores arrecadações do Brasil para cidades do seu porte — tenha um IDH tão ruim. É mau uso do dinheiro do povo ou então é roubo mesmo.

A formidável mobilização popular dos professores de Macau nos últimos tempos  por becos e ruas dando publicidade às suas lutas, quebraram o preconceito contra as manifestações do povo, sempre tratadas com desdém pelos que detém o poder e seus saca-trapos.

Professores de Macau-RN: lição de cidadania para o resto do Brasil.

Professores de Macau-RN: lição de cidadania para o resto do Brasil.

Em Macau essa ação dos professores alavancou a luta popular. Em junho deste ano – quando das manifestações por todo o país — Macau já estava no diapasão certo, já havia na cidade um descontentamento geral e uma vontade de ir às ruas buscar direitos.  Em Macau, os motivos são vários: um teatro que “cai” e não há culpados; um asfalto que esfarela depois de 6 meses, uma obra superfaturada; obras de fachada onde se gastou mais com a inauguração; um acordo salarial não cumprido pelo Prefeito e centenas de outros absurdos a revelar mau-caratismo daqueles que transformaram a cidade num laboratório de roubo do dinheiro do povo.

É certo que há muito percebo a corrosão dos valores da cidadania que o capitalismo, excludente, destrutivo e escravista produz e acertadamente os governos do Partido dos Trabalhadores colocaram a nu os males que nos afetam. É certo também que a demissão dos funcionários da prefeitura de Macau gerou o descontentamento expresso nas ruas.   Contra tudo isso o povo de Macau com suas faixas e cartazes foi gritar nas ruas. Mas não basta gritar nas ruas, pois as ações institucionais também são importantes e o povo deve buscar agora uma ação concreta que é o ORÇAMENTO PARTICIPATIVO para se sentir valorizado e dar sua contribuição cidadã para a melhoria da cidade, que é sua.

Claudio Guerra para o baú de Macau em agosto de 2013

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