Das tardes evanescentes de Barreiras

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Getúlio Moura, 2008

Getúlio Moura, 2008

Eram os oitenta em Barreiras onde as tardes evanescentes criam atmosfera de sonhos. Tudo é muito belo. E então uma velha senhorinha praiana me disse do seu encantamento com aquelas tardes e traduziu com simplicidade seus sentimentos, dos mais puros e belos. Surpreso, pois imaginava que só aos ungidos pelo saber formal da academia coubesse a percepção do belo, desci do meu edifício de soberba e acompanhei com ela a descrição de cada detalhe daquele belo entardecer. Inesquecível. A partir daí passei a prestar mais atenção no simples e no belo, que andam juntos e qualquer um pode perceber. Basta que saiamos um pouco do mundo medíocre que nos é imposto por um sistema que só vê dinheiro, lucro e consumo e que transforma arte em mercadoria. Arte é arte em qualquer sistema, época, cultura e lugar do mundo e não pode ter preço. É ela que nos dá a alegria do viver e só ela pode nos salvar.

De Claudio Guerra para o baú de Macau 

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