Jair Farias

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Lançamento: Virando cachorro a grito, de Jair Farias, dia 11/10 na Nobel

Livro: Virando cachorro a grito; Autor: Jair Farias

Editora: Sarau das Letras, Mossoró-RN, ISBN; 978-85-60650-56-9

Orelha do livro por Pablo Capistrano

Virando cachorro a grito Jair Farias (2)Um jovem diante do mar, no ponto mais ao sul do continente, encontra o lugar aonde a terra acaba e conde a viagem começa. Um velho, de barba ruiva, cansado do mar, bebe um copo de whisky em um bar.

Entre a primeira e a última história do livro de Jair Farias existe uma travessia que se anuncia. O cansaço pela via percorrida. A ansiedade diante da viagem que começa, a impaciência do transcurso da vida pelas linhas do texto.

Entre um conto e outro um desfile de deslocamentos aparece diante de nós, travestidos em andarilhos viajantes, estranhos, estrangeiros, criaturas deslocadas no passado e no presente entre relatos de memórias, de histórias de família que remontam a ancestralidade sertaneja ou mesmo de escuros sonhos, com estranhas sensações de uma calçada na qual o caçador é caça.

O livro de estreia de Jair Farias é uma amostra das possibilidades de percurso que um jovem escritor do século XXI pode percorrer. Entre os caminhos da prosa literária, que muitas vezes se assemelham a labirintos, nossas histórias são contadas na medida em que encontramos o espaço da linguagem, a partir do qual olhamos a vida. Como os personagens do seu livro, Jair Farias busca esse espaço, tecendo suas histórias a partir do horizonte de possibilidades de sua própria prosa.

Como um jovem que olha o mar e é convidado a partir em um navio, ou um velho contador de histórias fantásticas em um bar arquetípico, perdido na memória ancestral dos homens.

Como anuncia o narrador no último conto do livro [O Ritual], retomando como um círculo a imagem do primeiro conto [Feito Faca], sintetizando de modo bastante apurado os dilemas do ofício de se contar histórias: “certas coisas que aquele contador de histórias dizia não era assim, tão difíceis de imaginar. De certa forma, eu podia o visualizar tomando um uísque ou um café, com às vezes pedia, impávido, com aquele ar soberano, contemplando a visão do fim do mundo, mas ainda não satisfeito com o que tinha.”.

Pablo Capistrano, escritor, professor de filosofia do IFRN

Leia mais:

Um grito, o de Jair Farias [comentário de Claudio Guerra]

Virando cachorro da grito [comentário da Professora Maria do Rosario Beserra Guerra]

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