Um grito, o de Jair Farias

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Virando cachorro a grito Jair Farias (2)Inquietação é a palavra que pode resumir a literatura de Jair Farias cravada nos seus contos no livro de estreia  “Virando cachorro a grito”. É uma literatura que incomoda e muito. Penso que o autor se inscreve naquele grupo de homens e mulheres que desde sempre “mexem na ferida”. Para ficar em dois recentes e que gosto muito, Paul Gauguin na pintura e Júlio Cortázar na literatura, Jair Farias também não está “pacificado” e então pode expressar na sua arte a insatisfação e uma agonia de ver sempre um redemoinho de ideias embaralhadas querendo apontar para um norte. É uma literatura densa e tensa com o poder de nos levar rente ao chão ao expor com simplicidade o absurdo e o grotesco da vida, dessa vida nos parâmetros que somos levados a vivê-la.

A primeira memória de Natal para Jair Farias e que o incomodava foi cães uivando na noite. Penso que essa memória poderia ser também a de Macau, aqui no Rio Grande do Norte, Barcelona na Espanha, ou seja lá onde for nesta “terra de meu deus”, pois o mundo hoje, reduziu-se a cães [ou serão lobos?]  uivando a nos ameaçar com caninos afiados para que nos enquadremos.  

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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