Floriano Cavalcanti: discurso em Macau

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Elite macauense na década de 1940

Elite macauense na década de 1940

Interessante o discurso do desembargador Floriano Cavalcanti de Albuquerque [1895-1973], em Macau naquele 24/12/1946, quando candidato a governador do Rio Grande do Norte pelas Oposições Coligadas [UDN – União Democrática Nacional e PSP – Partido Social Progressista, que juntava a burguesia mais conservadora, parte da intelectualidade e da classe média urbana], que concorria com o PSD – Partido Social Democrático do getulismo com largo controle do poder nos Estados.  O desembargador Floriano Cavalcanti, professor, juiz e intelectual ilustrado é candidato ao governo do Rio Grande do Norte num período importante da nossa história, o pós-guerra e o começo da guerra fria.

O discurso tratou dos problemas que tocavam diretamente à população, como a questão portuária e a eterna tragédia da falta d’água, mas o importante foi sua abordagem da “Questão social” demonstrando o “espírito da época” da burguesia. Macau era a terra dos operários do sal com forte influência do trabalhismo getulista e onde os comunistas tentavam levar sua luta com Dr. Vulpiano e seus companheiros do então legal Partido Comunista. O Brasil que aproveitara o vazio imperialista para avançar na industrialização vê-se agora sob a pressão dos Estados Unidos, o maior beneficiado na guerra, emergindo como o grande xerife do mundo, como permanece até hoje. E toda a nossa história, desde então, está expressa nos princípios tão bem expostos pelo candidato Floriano Cavalcanti no seu discurso em Macau, ou seja, Rerum Novarum, filantropia, Keynes, Beveridge, New Deal e FMI para resolver “os males do capitalismo”. Quando isso não deu resultado apelou-se para as baionetas. Que o diga o Dr. Vulpiano e o Professor Luiz Maranhão, dentre outros patriotas que lutavam por um mundo melhor para todos.

Passados 67 anos o capitalismo só foi bom para os capitalistas e parte das estratégicas camadas médias que vivem das boas sobras, no mais, a maioria da população vive mal. Na Europa, o Estado do Bem Estar Social está sendo desfeito. Os Estados Unidos anunciam outra crise do sistema. Em grande parte do mundo vive-se uma hecatombe, que também é ambiental.  O Brasil e mais alguns países latinos equilibram-se num capitalismo que divide um pouco melhor os frutos do trabalho, mas continua sendo filantropia e FMI. Quase nada mudou.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.

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