Tempo de desfaçatez

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PortugalHá poucos dias recebi de um Banco correspondência com um cartão de crédito. Informavam que “após um minucioso e exigente processo de seleção”, eu fora escolhido para ser portador de tal “benefício” que “mudaria minha vida para sempre”. A única condição é que pagasse, de imediato, o boleto bancário já em meu nome.

Há algum tempo recebera de uma cartomante um grande envelope com uma cesta de futurologia que incluía até os números da megasena acumulada.  Junto, uma carta que me prometia o céu e me ameaçava com o inferno. A condição: o pagamento do boleto bancário também já em meu nome.

Agora, ainda pelo correio recebo de uma associação cultural religiosa, fotografia supostamente de uma santa e uma carta prometendo curar todos os males da minha vida: as contas atrasadas e até a recuperação do Corinthians no campeonato brasileiro. Só uma condição: o pagamento do boleto no meu nome.

Seja do Banco, da cartomante ou da associação religiosa, a fraude é a mesma. Assomam contra o nosso mísero salário com cinismo e patifaria. Não nos respeitam e assomam nas nossas casas com promessas vãs e produtos falsificados. Triste tempo esse. Tempo de desfaçatez.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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