A cera de carnaúba

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Carnauba de BarreirasAntonio Araújo é hoje uma liderança dos trabalhadores do vale do Açu e luta por um mundo melhor para todos. Foi menino varzeano e como tal ainda conviveu com a atividade da carnaúba, outrora a maior riqueza do Vale do Açu.  Foi ele que narrou o que escrevo.

A atividade que vinha desde o século XIX foi importante até os 70 do século XX. Hoje está quase desaparecida. É o mercado.  O corte da folha se dá anualmente entre junho e outubro no verão e utiliza-se uma vara comprida adaptada com uma pequena foice chamada quicé. A vara é aberta ao meio introduzindo o quicé, amarrado com tiras de couro. O corte é das folhas — chamadas de palha. E se usa também o cacho dos frutos — utilizado para o fabrico de vassouras [tipo piaçava].

Há o olho da palha que é o centro da carnaúba onde surgem as novas palhas. E a palha também é utilizada para cobertura de casas. A palha é cortada ou trinchada. Cortada é picotada numa máquina tipo forrageira onde se extrai o pó que vira a cera. Trinchada sobre um  cavalete com lâminas onde você coloca a palha e puxa separando o pó da palha.

A palha do olho é mais pura.

Depois de cortada a palha é levada para a secagem o que é feito ali mesmo junto da mata de  carnaúbas. A palha não pode tomar umidade e chuva nem pensar.  A palha cortada serve para adubo natural. Caule ou talos serão utilizados na construção e cobertura de casas. O talo e a folha também são usados no artesanato como cestos, bolsas, gaiolas. A Petrobras no Vale do Açu utilizou uma proteção de carnaúba feita de talos de carnaúba que funciona como isolante térmico nos dutos de transporte de gás e petróleo.

O pó vai para a usina e depois vai ser cozinhado num tacho.  O pó é misturado com um pouco de água e vira uma pasta.  Esta pasta em forma de tabletes é quebrada e ensacada em pedaços. A medida para venda era a arroba.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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