“Ifigênia, a pecadora”

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Ifigenia a pecadoraFoi com esse nome estampado num grande e lascivo cartaz com a figura de uma bela mulher com parte das coxas à mostra que em Macau no ano de 1981 o cinema São Luiz anunciava sua sessão de cinema, logo mais às 20 horas o filme Iphigenia, [1977], de Mihalis Kakoyannis, diretor do Zorba o grego e muitos outros filmes premiados.   No Brasil, Ifigênia não escapou do apelo comercial da época das pornochanchadas. O filme que recebeu várias indicações de prêmios é sobre Ifigênia, obra de Eurípedes [século V a.C.], com a história trágica de  Agamemnon, que sacrifica a filha num altar oferecido à deusa Artemis para abrandar os ventos permitindo que a frota grega zarpe em segurança.

A que imenso tropel de hórridos males// Pode a superstição levar os homens! afirma Lucrécio [séc. I a.C.], filósofo e um dos maiores poetas latinos na sua fantástica obra Da natureza das Coisas,  mostrando  como o drama de Ifigênia  expressa a superstição que degrada o homem. Lucrécio, já naquele tempo colocava os humanos com os dois pés na terra.  

Hoje, 2.000 anos depois o mundo continua assombrado pelos demônios e como afirma Carl Sagan, a superstição e a injustiça são impostas pelas mesmas autoridades eclesiásticas e seculares, operando em comum acordo.

Ifigênia continua pecadora.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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