A banda de música Mestre Avelino, das recordações de Aparício Fernandes.

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Banda de Música de Macau em dia de desfile. Década 1940. O mestre Avelino é o 1º a esquerda.

Banda de Música de Macau em dia de desfile. Década 1940. O mestre Avelino é o 1º a esquerda.

[…] A Banda de Música de Macau, que por onde ia carregava um magote de meninos marchando atrás dos músicos, entre os quais eu sempre me encontrava, entusiasmado e feliz! Banda por onde passaram grandes, anônimos e inolvidáveis artistas! Quantos músicos de alto gabarito a integraram! Lembro-me de Carlitos, um escurinho, pistonista extraordinário, que atingia as notas mais altas com extrema facilidade e que, saindo de Macau, veio para o Rio de Janeiro, onde integrou a Banda da Policia Militar. Outro músico de valor era o Sebastião, do Trombone, doublé de músico e barbeiro […], que mais tarde encontrei aqui no Rio, tocando na famosa Banda do Corpo de Bombeiros. Lembro-me de Cadete que tocava tarol e bateria, e de Zé Badalo, cujo apelido veio do fato de ele tocar o bombo na Banda, bem como os pratos, embora, se não me falha a memória, tocasse também contrabaixo. Outro músico de talento era o clarinetista Chico Ourives, que infelizmente ao que parece, morreu na miséria. Lembro-me de Badel, exímio no cavaquinho, no bandolim e em outros instrumentos de corda. Todos os demais músicos estão vivos na minha memória, mas já não lhes recordo os nomes. Na verdade, até hoje eu sou fanático por uma banda de música e se não fosse o fato de parecer estranho, ainda continuaria marchando atrás da banda, sempre que houvesse uma oportunidade. A alma da Banda de Música de Macau, seu grande Maestro, era Avelino Faustino da Costa, […] O “sopro” de Avelino no saxofone era algo fora do comum. […] Avelino era, na verdade, um grande poeta quando punha na boca a palheta do seu saxofone, pois os sons que tirava do instrumento nos tocavam fundamente a sensibilidade, fosse na execução de uma valsa, de um choro, ou até mesmo numa espécie de ouverture, um solo de saxofone que ele fazia no início das “missas cantadas”, na Matriz de Macau. […]

páginas 16 e 17 da obra Macau – Canto de Amor e Saudade; autor: Aparício Fernandes, ano de publicação presumível: 1988, Campeão Gráfica e Editora Ltda., Rio de Janeiro.

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