O Fandango e a Nau Catarineta [1]

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Fandango em Macau(RN) década 1950

Fandango em Macau(RN) década 1950

Quando cheguei a Macau no ano de 1981, tradições como o Fandango, só restavam nas memórias dos macauenses. Assim como o trabalho e os trabalhadores das estivas, o Fandango foi varrido, levado pelo progresso das mecanizações e dos acordos políticos dos anos sessenta na região salineira, transformando-a definitivamente. Depois, muito depois consegui uma foto do espetáculo e agora com o memorialista Getúlio Teixeira obtive outras fotografias. Benditos sejam os fotógrafos e os memorialistas.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

Fandango no Nordeste do Brasil: Fandango é uma festa popular em homenagem aos marujos, que acontece na época do Natal, no Norte e no Nordeste do Brasil, e ainda em alguns lugares de São Paulo. Também tem o nome de marujada. É composta por personagens vestidos de marinheiros que cantam e dançam ao som de instrumentos de corda. No Sul, é festa típica de pescadores e caboclos do litoral paranaense. São cerca de 30 danças rurais regionais divididas em dois grupos: As batidas, exclusivas dos homens, marcadas por sapateado vigoroso e sonoro; As valsadas, ou bailadas, em que os casais arrastam os pés no chão. (Wikipédia). Para o pesquisador potiguar Câmara Cascudo, o Fandango ou Marujada é representado no ciclo do Natal, com personagens vestindo fardas dos oficiais da Marinha e marinheiros, cantando e dançando ao som de instrumento de corda. … No Rio Grande do Norte onde o fandango é exibido desde o princípio do século XIX, ininterruptamente, consta de vinte e quatro jornadas (partes), sendo a nau catarineta a décima sexta. As chulas são a 19ª (Passarinho preso canta!), a 22ª (Adeus, ó bela menina!) e a 23ª (Adeus, meu lindo amor!). O “Su’alteza a quem Deus guarde”, que é o Capitão da Armada em Portugal, é a 21ª jornada. O elenco se compõe do mar-e-guerra, imediato, médico (papel novo), capitão, piloto, mestre, contra-mestre, dirigindo estes últimos as duas alas de marujos (onze por banda), e calafate numa dessa filas o gajeiro na outra, dois cômicos, o ração e o vassoura. Orquestra de rabeca (violino), violão, viola e, recentemente, cavaquinho e banjo. Os dois grupos de sua oficialidade, vêm puxando um naviozinho branco, com todas as velas abertas, e cantando a primeira jornada até o tablado, armado em frente à matriz ou no local escolhido previamente (jamais dentro de sala, sempre ao ar livre) e aí decorre a representação, que dura umas três ou quatro horas pela repetição das cantigas. […] A Nau Catarineta cantada isoladamente em Portugal e no Brasil convergiu para o auto do Fandango, onde é a jornada XVI.  O texto é de 1954. Dicionário do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo, Ediouro, 1972.

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