O Fandango e a Nau Catarineta [2]

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Fandango em Macau[RN] década 1950

Fandango em Macau[RN] década 1950

O memorialista Getúlio Teixeira em seu livro Humor com gosto de Sal publicado em 2003 pela Editora Sebo Vermelho nos traz duas histórias envolvendo o Fandango em Macau.

As aparências enganam

No mês de dezembro, um grupo de marítimos organizava em Macau a dança do fandango. Era um folclore vindo de Portugal. As pessoas se vestiam como roupas de marinheiro  e havia toda a tripulação de um navio de verdade. A dança do fandango era encenada na praça da Conceição.

Antonio Bolão era o Capitão de Mar e Guerra da Nau Catarineta. Depois de vários meses de ensaio, finalmente chegou o dia da primeira apresentação do fandango.

Sete horas da noite, Antônio Bolão vestiu a farda com todos os galões que tinha direito e rumou para a casa do agente da Capitania dos Portos da cidade. A Capitania era chefiada pelo Tenente Nascimento, um velho oficial da Marinha que tinha a mania de fumar charuto. Antônio Bolão foi recebido pela empregada do tenente que, ao ver aquele homem todo cheio de galões, correu para chamar o patrão.

“Chega tenente, tem um homem fardado e, pela farda, é mais autoridade que o senhor.” Tenente Nascimento ficou assustado já que esperava uma inspeção dos seus superiores. Na pressa, colocou o charuto aceso no bolso e foi atender à suposta autoridade. E grande foi a surpresa quando foi saudado pelo visitante com a seguinte expressão>

– Antônio Bolão, Capitão de Mar e Guerra, comandante da Nau Catarineta, pede licença para dançar o fandango.”

O tenente, ao perceber que o seu pijama pegava fogo, esqueceu o susto e mandou Antônio Bolão fosse dançar fandango na casa da P.Q. P.

O velho gajeiro

                Encontro o baixinho Aluízio de Antão no Café São Luiz. A alegria estampada no rosto, o baixinho era só alegria. Pergunto a razão de tanta felicidade. Ele respondeu que tinha sido publicada no Diário Oficial da União a sua aposentadoria.

                Parabenizo-o pela conquista e a conversa continua. Depois de certo tempo, chega Pixico e vai logo perguntando se era verdade que Aluízio tinha se aposentado, Com a confirmação, Pixico contestou. “Não é possível, Aluízio não tem tempo de serviço para se aposentar!”

                Aluízio deu uma tragada no cigarro e, com toda calma que Deus lhe deu, respondeu: “É que não contei o tempo da Nau Catarineta, pois só de gajeiro eu tenho mais de seis anos, é que não encontrei Antônio Bolão para fornecer o atestado.

 

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