A “Cooperativa do seu Virgílio”

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Cooperativa de Crédito Popular e Agrícola de Macau Ltda. década 1960.

Cooperativa de Crédito Popular e Agrícola de Macau Ltda. década 1960.

Elas existiam no Brasil desde 1902 e os cidadãos de Macau também fundaram uma cooperativa de crédito. Das suas recordações de criança a Professora Maria do Rosário lembra-se da “Cooperativa do seu Virgílio”, aonde ia com sua mãe depositar o dinheiro apurado na venda do leite que depois serviu para ajudar na construção da sua casa na rua Padre João Clemente. Recorda também que a primeira sede da cooperativa era na Rua da Frente ao lado do Hotel do Geraldo, onde foi a coletoria. A Cooperativa de Crédito ganhou sede própria na Rua Martins Ferreira e Virgílio Barbosa morava na casa ao lado. Hoje o prédio que foi da Cooperativa abriga a Câmara dos vereadores de Macau. Virgílio Barbosa e João Melo foram fundadores e presidiram a Cooperativa de Credito de Macau.

Essas cooperativas – que não cobravam tarifas e nem juros escorchantes — por concorrerem com os Bancos comerciais sempre sofreram limitações. Em novembro de 1962, o decreto 1503 do Conselho de Ministros [um curto período parlamentarista – 9/1961 a 1/1963] impediu novas autorizações e registros das Cooperativas de Crédito. Começava aí o golpe contra o povo brasileiro e contra o governo Goulart. Depois, com o golpe de 1964, a Lei 4.595/64 – uma lei da ditadura – acabou com as cooperativas de Crédito.

Quando falarmos que Macau é a cidade do “já teve” é preciso lembrar que não foram os macauenses que provocaram o fechamento dos órgãos. Ao analisamos a história, verificamos que a grande maioria das entidades que beneficiavam o povo de Macau e região foram fechados pelo governo da ditadura e depois pelos governos neoliberais do Fernando Collor e  do Fernando Henrique.

Ao povo de Macau não foi dado o direito de opinar se queria ou não o fechamento. Foi assim com a Cobal, com o IBGE, com a Capitania dos Portos e muitos outros.

De Claudio Guerra para o baú de Macau

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