O Fandango e a Nau Catarineta [5]: Macau e as emoções do menino Horácio

0

Gamboa das barcas  (O sopro da memória)

 

Fandango em Macau[RN] década 1950

Fandango em Macau[RN] década 1950

1950. Estou na Praça da Conceição, em Macau, e tenho cinco anos. No centro, próximo à coluna do centenário, armaram, para o fandango, uma grande barca de lona e madeira, a Nau Catarineta.

Assisto ao bailado, à opereta. Impressiono-me. Sucedem-se os cantares. A emoção cresce. Naquele momento dramático, mandam o gajeiro subir à alta gávea. O gajeiro é a esperança. O gajeiro, quase um menino como eu. Uma voz, como se fora a do capitão da nau, diz-lhe que suba, e entoa o canto:

Sobe, sobe

meu gajeiro

gajeirinho leal

vê se avistas terras d’Espanha

-  ô, tão lindas!  -

areias de Portugal.

 

Prendo a emoção. Mas não dá. Choro em silêncio, envergonhado. Lágrimas mudas.

 

                                                                                         Horácio Paiva

Deixe uma resposta