Lourival Açucena em Macau, Rio Grande do Norte

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Lourival Acucena editaesNa escrita do romance Ninguém para a Coréia – episódio do internacionalismo proletário na Macau de 1950 – abri o capitulo 20 com a poesia de Lourival Açucena [Joaquim Edvirges de Melo Açucena  – 1837-1907]. Tinha poucas informações sobre o poeta, mas encantou-me os versos sobre a politicagem reinante e que ainda hoje prevalece em grande escala — políticos ludibriando eleitores e eleitores pensando em levar vantagem na eleição. O que eu não sabia é que o poeta morou em Macau por alguns anos exercendo a função de administrador da Mesa de Rendas Gerais por volta de 1886 e 1887.

O amigo Roberto Monte [www.dhnet.org.br] enviou-me uma cópia do jornal Tribuna do Norte de 12 de janeiro de 1964 contendo um artigo de Manoel Rodrigues de Melo sobre a presença de Lourival Açucena em Macau. Fui pesquisar no O Macauense [bn.gob.br] e deparei com a publicação [ver ilustração] de um edital — o poeta tem o título de capitão – sobre uma medida em favor da libertação dos escravos. Várias ações antiescravagistas antecederam o ato da abolição em 13 de maio de 1888.

Política [*]

–Já ouviu, Yayá?

Nas vésperas da eleição

Vão à casa do compadre,

Dão beijos no afilhado,

Rompem sedas á comadre…

E o pobre diabo

Entra na rascada

Tomando sopapos,

Servindo de escada,

Elles vão á Corte

E o compadre fica

Bebendo jucá

Ou doses de arnica.

Já ouviu Yaya?

 

[*]Glosa Glosarum – fesceninos, org. do poeta Celso da Silveira, Edições Clima, 1981, Natal[RN]

 

De Claudio Guerra para o baú de Macau