Episódios da escravidão: 12 anos de escravidão, La Amistad e a agonia dos presos do cuter Jaguarary em terras potiguares

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O festejado filme 12 anos de escravidão de Steve MacQueen, lançado agora em 2013 é baseado na autobiografia de Salomom Northup, um negro livre que é sequestrado e vendido como escravo em 1841 nos Estados Unidos da América. A prática era comum naquela época.

O também festejado filme de Steven Spielberg,  La Amistad fala da escravidão. Em 1839 um grupo de negros tornados escravos e que seguiam para Cuba no navio La Amistad,  tomam o comando, mas como não sabem navegar são ludibriados pelos tripulantes até serem capturados por um navio norte-americano. São julgados nos Estados Unidos pela morte dos tripulantes, mas a disputa maior é pela posse deles, reclamada pelos envolvidos no episódio.

Cuter tem 1 mastroJaneiro de 1888 também mostra um episódio da escravidão nas terras e mares potiguares. Conduzidos a bordo do cuter Jaguarary, onze pessoas negras, entre elas um velho, duas mulheres e uma criança de menos de dois anos são presas na entrada do porto e levadas à cadeia pública por ordem do chefe de polícia da cidade. Não há nenhuma acusação contra eles e foram presos tão somente por serem negros.

A história é narrada no Boletim editado no começo de maio de 1888 pela Sociedade Libertadora norte-rio-grandense.

Contam que o ex-governador Pedro Velho [1856-1907] acompanhado do advogado Nascimento de Castro apresentaram petição solicitando que informassem os motivos da prisão — se esta se dera por serem criminosos ou por simples declaração de suspeita de crime e se havia alguém reclamando a posse daquelas pessoas e apresentando matrícula e títulos de domínio ou ainda se havia denuncia de serem eles escravos.

O chefe de polícia, sem outro caminho, deu as certidões que acabou por comprovar a ilegalidade das prisões. Então,  entraram com um habeas corpus pedindo a liberdade imediata de todos os presos, mas o juiz – sem nenhuma prova e sem nem ouvir os presos —  indeferiu a petição.

Recorreram ao Tribunal da Relação do Distrito que ficava no Ceará e o mestre de barcaça Joaquim Honório foi numa jangada levar a petição do novo habeas corpus.

Foram dez dias de muita agonia para os presos que só encerrou no dia 3 de janeiro de 1888, uma terça feira pelas onze horas quando o telégrafo anunciou o provimento do recurso determinando ao chefe de polícia que soltasse os presos.

De Claudio Guerra para o baú de Macau