50 anos do golpe que feriu a nação: Doutor Ivo, advogado dos trabalhadores.

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Termo de perguntas ao indiciado em 24/4/1964.

Termo de perguntas ao indiciado em 24/4/1964.

Abril de 1964 a repressão baixou forte sobre os patriotas brasileiros. Uma parcela da burguesia brasileira juntou-se ao imperialismo e além do golpe pela força das armas contra um presidente eleito pelo voto do povo, apostavam no derramamento de sangue.  Estavam contra as reformas de base anunciadas pelo presidente João Goulart  que alçaria o Brasil,  em poucos anos,  ao grupo das grandes potencias mundiais.

Em Macau um dos perseguidos pela ditadura foi o advogado dos trabalhadores Ivo Ferreira dos Santos, o Doutor Ivo, um combativo jovem de 27 anos. No dia 24 de abril de 1964, preso no 16ª RI em Natal respondeu ao inquérito militar criado para incriminar toda a direção das lutas populares – sindicalistas e parlamentares. Condenavam por suposições.

Contra Doutor Ivo, pesou o fato de ter sido cabo da Marinha, pois o episódio da adesão dos fuzileiros navais em 27 de março de 1964 na assembleia dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio estava atravessado na garganta da burguesia que via o ato como um perigoso episódio da luta de classes. E era. Buscavam ligar o Doutor Ivo ao movimento dos marinheiros no Rio de Janeiro o que nada tinha de verdade.

O então governador Aluízio Alves mandou instaurar um Inquérito Policial Militar [IPM] que transformou a vida de muitos macauenses num inferno até o fim da ditadura em 1985, pois o perseguido deveria estar sempre pronto para ser preso.

De Claudio Guerra para o baú de Macau