50 anos do golpe que feriu a nação: 1 de abril de 1964

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O golpe contra a democracia deu-se entre os dias 31 de março e 1 de abril de 1964. A revista O Cruzeiro fez matéria logo em seguida, dia 10 de abril de 1964, em edição extra, cujo preço de capa era de Cr$200,00 e a tiragem foi de 425.000 exemplares.

Rio, 1964. Estudantes do Makenzie sob a proteção do Tio Sam

São Paulo, 1964. Estudantes do Makenzie: a burguesia sob a proteção do Tio Sam

O golpe foi dado a partir de São Paulo, Guanabara [Rio de Janeiro] e Minas Gerais. Eram nesses Estados que se concentravam a burguesia que mandava e até hoje manda no Brasil e que estava afinada com o imperialismo comandado pelos norte-americanos.

Dividida em capítulos e ilustrada com muitas fotos, a revista narrou assim o golpe a partir desses Estados:

Minas hora a hora. Dia 1º de abril. 12 h 30 m. Num contato com os repórteres de “O Cruzeiro”, o Governador Magalhães Pinto declara que “foi diminuído o prazo que se esperava para vitória final”. O prazo inicial era de dez dias.

São Paulo hora a hora. Manhã de 1º de abril. O Governo do Estado e o II Exército dominavam inteiramente a situação. …Grandes contingentes do DOPS e da Força Pública ocupavam toda a Baixada Santista e, por volta das 9 horas, choques da Polícia Marítima invadiram a sede do Sindicato dos Estivadores. Foram efetuadas detenções de vários elementos lidados aos sindicatos.

Guanabara hora a hora. O dia 1º de abril foi de tráfego congestionado, avançado passo a passo, no Rio de Janeiro. Especialmente na Zona Sul. … No Flamengo, um carro estadual, oficial, cujos ocupantes metralharam a sede da União Nacional dos Estudantes, estava completamente danificado. Colidira com um poste, após o atentado. … E uma caravana de automóveis, buzinando, vespas nas avenidas e ruas de Copacabana, de Botafogo, do Jardim Botânico, do Leblon e Ipanema.

Rio, 1964. Destruição da sede da UNE: provocação dos golpistas

Rio, 1964. Destruição da sede da UNE: provocação dos golpistas

 

No resumo, observamos: que o golpe estava preparado há muito tempo e com a supervisão dos norte-americanos; os mais perseguidos foram os nacionalistas e comunistas e que a burguesia representada pelos do Leblon e Ipanema comemorou muito.

As fotos são da revista O Cruzeiro.

DE Claudio Guerra para o baú de Macau.