Uma vala da maldade nas minhas lembranças de Macau

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Vala da vergonha no Porto do Roçado. A prefeitura alegou que não tinha dinheiro para a canalização ao tempo em que gastava R$4 milhões no carnaval.

Vala da vergonha no Porto do Roçado. A prefeitura alegou que não tinha dinheiro para a canalização ao tempo em que gastava R$4 milhões no carnaval.

Passados mais de 10 anos, há motivos para comemorações. Em recente conversa com o médico de Macau, Dr. Wilson, ele disse-me que uma de suas alegrias era o pequeno numero de crianças com doenças da miséria em Macau. Um dos fatores, afirmou, foi o saneamento básico hoje em quase toda a cidade e completou: outras ações foram fundamentais para a diminuição das doenças da miséria na cidade, como a retirada do lixão do Valadão e a canalização da vala a céu aberto no Porto do Roçado.

Fiquei feliz com o fato porque por muito tempo lutamos pelo saneamento básico de Macau que mesmo incompleto, já mostra que a saúde da população melhorou. Hoje, grande parte da cidade está com água encanada, rede de esgotos e galerias de águas da chuva. João Eudes Gomes foi o macauense que liderou o movimento pela retirada do lixão do Maruim e conseguiu, por meio de uma Ação Popular, que o lixo fosse retirado da cidade.  O assunto levou-me a escrever o livro Cidadãos off-line e o Lixão do Maruim de Macau publicado em 2010. Foi também João Eudes Gomes que liderou um grupo de pessoas na Ação Popular contra a Prefeitura de Macau pela canalização da vala a céu aberto no Porto do Roçado.  Sem saída, o prefeito foi obrigado a mandar fazer a obra o que melhorou as condições de vida daquela população e por extensão de toda a cidade.

Em ambos os casos o mais terrível foi constatar que os prefeitos foram contra estas ações que tratavam de saúde. Em ambas as ações apresentaram contestações o que reforçou suas atitudes de pura maldade: o povo doente é mais dependente e dá mais voto. Sim era isso que pensavam os prefeitos de Macau.

De Claudio Guerra para o baú de Macau