A Louca: uma poesia de Nair Damasceno

0

 

Cagê 2003

Cagê 2003

A Louca

 

 Andarilha,

 Vagava maltrapilha.

 Sorria

 Sem dentes na boca,

 Cantava

 Com sua voz feia e rouca.

 Dançava, rodopiava,

 Abria os braços, gritava,

 Discursava

 Cometendo erros de português

 Em sua insensatez.

 

 Falava obscenidades,

 Exibia sua intimidade,

 Sem pudor,

 Rasgava sua carne,

 Acho que não sentia dor.

 Riscava as paredes

 Com carvão e giz

 

 E em seu mundo imundo

 Era feliz.

                                          Nair Damasceno [ndapaiva@yahoo.com.br ]