Vandinho, um macauense.

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NOTA DE AMIZADE, HOMENAGEM E DESPEDIDA TEMPORÁRIA AO MEU AMIGO GIOVANI HELIODORO DE OLIVEIRA. 

 

Foto E. Vale, década 1950, rua Pereira Carneiro, arq. Tereza Cristina, in Macauísmo, p. 163

Foto E. Vale, década 1950, rua Pereira Carneiro, arq. Tereza Cristina, in Macauísmo, p. 163

Vandinho marcou minha vida pela longa convivência e amizade.  Inúmeras vezes estivemos reunidos, como parentes, como amigos…  e até sócios, pois compráramos uma granja juntos, a que ele amavelmente chamava de “Granja Dois Amigos”.  Recordo um episódio de 1981, quando então aniversariava e comemorava os seus 50 anos. Dizia-me: “vivi muito tempo, já vivi meio século!” (não imaginava então que ainda haveria de percorrer um longo caminho de mais 33 anos). Mas, ao partir, seja qual for o tamanho de nossa vida ela será sempre pequena, sobretudo ao coração dos amigos que ficam. Nesse sentido, Vandinho faleceu prematuramente, em relação à dimensão de nosso amor que faz tão grande a nossa saudade. Montaigne dizia que o tempo da vida humana é sempre curto e que 50, 80 ou 90 anos se equiparam, isto é, são a mesma coisa, pois significarão sempre pouco se comparados com a eternidade.  Afinal, o que é finito é mesmo sempre pouco, e assim estão a dizer as nossas próprias perdas.   Mas, seja de qual perspectiva vejamos o tempo da vida terrena, a verdade é que Vandinho construiu, com dignidade, uma bela família e muitos amigos.  Dias atrás, por ocasião da morte (também causada pelo câncer) do escritor Gabriel Garcia Marquez,  Jaérson, um amigo paraibano, hoje no Rio de Janeiro, escrevia-me, repetindo o querido escritor: “Tudo que existiu… existirá para sempre”. 

Respondi-lhe com a expressão de um pensamento que há dias alimentava o meu espírito: o passado, se não volta, também não passa; está no presente e estará no futuro. 

Sinto que é chegada a hora de dedicar a Vandinho essa elegia que escrevi em Lisboa, no dia 31.12.2013, e que faz parte de um conjunto que titulei como “Sete elegias de um ano findo”; ela é a última e diz assim: 

“não voltarão mais

            essas águas que passaram

levando no asfalto

            folhas caídas

das sete colinas de lisboa

            no último dia do ano findo

 

mas a passar vejo-as ainda

pois na eternidade nada finda”

  

Peçamos, pois, ao nosso querido Deus que acolha Vandinho em sua eternidade amorosa e feliz. E creio que se for questionado por Ele sobre o amor, saberá responder. Era um homem justo!

                                    Horácio de Paiva Oliveira.