Réquiem do Poeta Jorge Fernandes [1887-1953] às construtoras

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Os jornais e os noticiários das televisões noticiam que mais um operário morreu num acidente  na construção civil em Natal.  Ele caiu de uma grande altura. Morrem centenas pelo Brasil afora em grandes e pequenas cidades. É um problema de custo. Para as construtoras é mais barato que morra um operário aqui outro acolá que investir na segurança dos trabalhadores. É a lógica do capitalismo: o homem vem sempre por derradeiro.

Jorge Fernandes [1887-1953] poeta potiguar no Meu poema parnasiano nº um,  no começo do século passado  tratava do assunto.

….

Dem! dem! dem! – O auto-socorro –

– Quem vem ali?

Um operário que quebrou uma perna de uma grande altura.

– Viva o grande operário! – Viva o grande herói do dia!

– Vivôôôôô!…

Página 41 da obra: Livro de Poemas , autor: Jorge Fernandes, Editora da Fundação José Augusto, 1970, Natal[RN]