A barrilha, truste deste o século XIX

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Sonhos na década 1970. Criação da Alcanorte em Macau;Arquivo> Laércio de Medeiros Bezerra

Sonhos na década 1970. Criação da Alcanorte em Macau; Arquivo: Laércio de Medeiros Bezerra

Coube a Macau e seu povo sonhar que um dia teria uma fábrica de barrilha. As condições técnicas existiam, mas o trustes  do negócio não deixaria que a fábrica tornasse realidade. Restou como pesadelo para os macauenses. E ainda é nos dias atuais.

Eu falo sobre este assunto neste momento das eleições porque inúmeros candidatos virão a Macau e vão falar sobre a fábrica abortada. Fazem isso desde a década de 1980, sem nunca tocar no principal problema que são os trustes da fabricação e comércio do álcalis no mundo.  E eles existem desde quando buscando formas de sobrevivência, o capitalismo forjou-os.

A constatação é Friedrich Engels – um dos fundadores do marxismo –  que na sua obra Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico [1892] fala do assunto quando trata da eliminação do capitalismo individual. Diz Engels, Mas, como esses trustes, em geral se desmembram aos primeiros ventos de mau negócio, isso leva a uma socialização mais concentrada; todo o ramo de produção industrial torna-se uma grande sociedade anónima, e a concorrência interna ocasiona  o monopólio interno dessa sociedade única: assim aconteceu já em 1890 com a produção inglesa de álcalis, que depois da fusão de 48 grandes fábricas do pais, é explorada uma só sociedade com direção única e um capital e 120 milhões de marcos. 

Vivemos hoje a época dos trustes. É só olhar ao redor.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.