A morte

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A morte

 

O meu primeiro amor morreu criança

e entre notas musicais o sepultaram.

O caixão era azul e flutuava

que mãos análgicas mal o sustentavam.

 

Igreja Matriz e praca Mons Honorio

 

Os olhares na igreja o mês de maio

as mãos furtivamente se encontrando

na hora das lições do catecismo

e em passeios no rio nas salinas.

 

Ciúmes do cow-boy quando aplaudias

os mil tiros do revólver inesgotável.

E no Grupo Escolar por tantas vezes

meu coração parado até que abrisses

os lábios e a voz enchesse a sala

com os versos de Bilac.

 

Foi a febre – disseram – foi a febre.

Nem rias nem falavas o teu corpo

ilhado entre jasmins e margaridas.

Era a morte e eu não sabia que era a morte.

 

Pág. 46,  Aurora Trucidada, Fagundes de Menezes, Editora Clima, 1985, Natal-RN