Jornalismo e Literatura: Fronteiras, por Fagundes de Menezes

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Jornalismo e Literatura: Fronteiras

 

Liberdade de Imprensa 1797 gravura

Liberdade de Imprensa 1797 gravura

O primeiro jornal impresso apareceu em 1605, em Antuérpia, o Nieuwe Tjidinghen, semanário publicado por Abraão Verhoeven. Um longo período decorreu ente o surgimento da tipografia e o da imprensa, isso porque nenhum órgão da imprensa podia ser publicado sem licença das autoridades e sem as garras da censura. No Brasil, no período colonial, as restrições à entrada de livros procedentes da Europa eram enormes. Pelos fins do século XVIII começaram as importações de livros. Tiradentes, por exemplo, era possuidor da Coleção das Leis Constitucionais do Estados Unidos da América, em edição francesa. Do seu processo (Autos da Devassa) consta que ele havia pedido a um cabo que lhe traduzisse  o diário no qual se descrevia o levante das colônias inglesas na América do Norte. A repressão era tão grande que até se aponta um caso na Bahia, o do Padre Agostinho Gomes, acusado como francês por haver comido carne numa sexta-feira e le Voltaire. As obras consideradas nocivas entravam clandestinamente . Depois da abertura dos portos, em 1808, a entrada de livros no Brasil aumentou, dizendo-se que até marinheiros ingleses vendiam, nos portos, obras das mais diversificadas, sobretudo as proibidas. O governo português tomava medidas para evitar o esclarecimento do povo, tanto que a Carta Régia de 1792 recomendava muito cuidado com o navio francês Le Dilligent, que andava nos mares do sul em busca do explorador La Pérouse, afirmando que se tratava de “pretexto para introduzir nas colônias estrangeiras o mesmo espírito de liberdade” que reinava na França, alertando ainda que a Constituição francesa já se achava traduzida em português e espanhol.

Páginas 13 e 14 da obra Jornalismo e Literatura, de Fagundes de Menezes