A ilha submersa [poesia]

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Delta do rio Assu em Macau, Foto: Getúlio Moura

Delta do rio Assu em Macau, Foto: Getúlio Moura

 

 

A vista se cansou entre os rochedos

as espumas batendo  contra a nau

os olhos de criança sobre as dunas

e as noites sem farol cheias de  medos.

 

Velhos rostos contraídos

olhar abraçando a proa

as velas brancas molhadas.

Mastros e escotas rangendo

resposta para algum pôrto

que de longe está chamando.

 

As espumas batendo contra a nau

de lado do boreste o alvorecer.

Navalhadas sutis cortando o espaço

asas brancas de garças e gaivotas.

 

Uma brisa conhecida

a brisa que envolve a nau

ela vem de Caiçara

de Barreiras e Macau

e logo o barco entre as ondas

com o bojo flutuando

sôbre as casas submersas

 

Entre os telhados desfeitos e confundidos com a águas do mar

 repousam as pequenas riquezas amealhadas

lembranças de escunas, de galeras inglêsas e escandinavas.

 

E pelas noites de agôsto

Vento Leste afligindo embarcações

a ilha flutua e se ilumina.

Estranhos sêres marinhos vêm à tona

aproximam-se dos veleiros.

Os marinheiros se benzem

os barcos mudam de rumo:

vão levados pela brisa

que vem de Diogo Lopes,

de Alagamar, Caiçara,

de Barreiras e Macau.

 

p.28 e 29 O Vagonauta de Fagundes de Menezes