São Francisco como arma: uma história de Zé de Damiana

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Ze-de-Damiana-1-300x168[1]Contou-me Zé de Damiana, 96 anos e que até hoje luta por vida com dignidade para todos, que fora preso em Macau nos idos de 1964 quando os militares queriam saber sobre  armamentos escondidos  em Macau.

– Você é muito ligado a Floriano e vai me dizer agora sobre as tres camionetas carregadas de metralhadoras escondidas aqui em Macau! — esbravejou o militar que conduzia o interrogatório.

– Bem, disse calmamente Zé de Damiana ao militar: — Não existe nada disso. É invenção do povo que não gosta da gente. Segundo Zé de Damiana, a deduragem e a invencionice foi estimulada em Macau  em troca de cargos e benesses do governo.

Ele fora preso em Macau e mandado para Natal, às quatro da manhã,  num jipe do exército onde foi interrogado. Depois, outros companheiros como o Manoel Zuza,  Manoel Fernandes,  Luiz, Zé e outros foram levados no caminhão da prefeitura para o  interrogatório  em Natal. Nesse episódio das prisões, a polícia invadiu a casa de Manoel Mateus cuja mulher estava de resguardo. Manoel Mateus  apanhou um facão rabo de galo e enfrentou os militares. No fim eram muitos os militares e o trabalhador findou preso.

Na entrada do quartel em Natal o Capitão Lacerda – contratado pelo Governador Aluízio Alves para conduzir o chamado Inquérito Policial Militar, perguntou mal educadamente a Zé de Damiana:

– Você está armado, comunista safado?

Calmamente e altivo, Zé de Damiana, católico da irmandade de São Francisco, olhou bem fixo nos olhos do temível capitão e respondeu:

– Estou! E retirou do bolso a imagem de São Francisco que sempre levava com ele e mostrou ao capitão.

 

De Claudio Guerra para o baú de Macau