Velhas fotografias de família

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casal Modificado NI 7 1870 1900 reduzidoAinda hoje Terezinha Bezerra se recorda daquela visita. Numa daquelas tardes modorrentas e de muito vento de Macau, veio à sua casa recém construída na rua padre João Clemente, onde o vento entrava pelas janelas do nordeste e o sol pelas janelas do noroeste,  Balbina Avelino Bezerra que era prima do seu pai Luiz de França Bezerra e do poeta macauense Edinor Avelino. Era uma visita incomum.  Trazia Balbina junto ao peito, um envelope grande, amarronzado e velho, segurando-o com muito cuidado. Sentaram-se na sala e conversaram variedades. Depois, Luiz Bezerra mandou servir um cafezinho e então se tratou do assunto daquela visita inesperada.

Do envelope que trazia com muito zelo, Balbina foi retirando uma a uma as fotografias dos parentes e mostrando ao primo seus antepassados.  O envelope continha cerca de trinta fotografias do  final do século XIX e começo do século XX de várias pessoas da família Bezerra. Eram fotos com dedicatórias amáveis para primos, tios e outros parentes. Eram fotos de vários ateliers fotográficos de muitos lugares do norte e nordeste do Brasil com suas propagandas e com o aviso de conservam-se  as chapas para reproducção.  

Cerimoniosamente Balbina Avelino Bezerra, disse a seu pai, que estava ali para lhe entregar aquelas fotografias da família Bezerra para que ele conservasse, pois sentia que a sua vida estava esvaindo-se e achava que não teria muitos anos de vida. Balbina morreu poucos meses depois.

Pelo final dos anos setenta Luiz Bezerra adoeceu e começou a ter lapsos de memória, esquecendo coisas banais e então ao lembrar-se das fotografias,  chamou sua filha Terezinha e entregou-lhe as fotos. Hoje estão com ela e pelas dedicatórias que contem é sensato pensar que eram tempos bem menos cruéis.

De Claudio Guerra para o baú de Macau