Algodão em Macau

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Foto Seu Santos, decada 60, escolha da rainha do Algodão, jovem Núbia Pinheiro acompanhada do sr. Alfredo Teixeira, presidente da Associação Rural de Macau. O menino da fato é Albimar Melo. O local é a quadra de basquete na rua São José. Arquivo: Getulio Teixeira

Foto Seu Santos, decada 1960, escolha da rainha do Algodão, jovem Núbia Pinheiro acompanhada do sr. Alfredo Teixeira, presidente da Associação Rural de Macau. O menino da foto é Albimar Melo. O local é a quadra de basquete na rua São José. Arquivo: Getulio Teixeira

 

Década 1920, Prensa de Algodão em Macau, arquivo: Leão Neto

Década 1920, Prensa de Algodão em Macau, arquivo: Leão Neto

Houve um tempo que o algodão foi riqueza na região de Macau. Plantava-se uma grande área em todo o vale do rio Açu  e  Macau, além das prensas onde o algodão era processado,  foi até os começos do século XX  um movimentado porto marítimo para exportação do produto. Com a monocultura na região veio também os problemas ambientais e muitos atribuem o assoreamento do rio Assu às grandes lavouras do algodão próximo às margens do rio.

A importância do produto  na década de 1950 avaliava-se pela existência da festa do algodão com eleição da rainha do Algodão. Era um acontecimento social na região.

 

Dona Hilda Paiva nascida em 1915 em Macau recorda de uma canção que seu pai cantava para ela quando ainda era criança e morava no Porto do Roçado na hoje rua dos Paivas:

 

O algodão é que nos veste e nós come

Nós precisamos ser homens

Para ter bom mocotó

E se nessa terra não aparecer dinheiro

Vou vender aos comboieiros

E vou morar no Seridó.

 

Vamos para o algodão seu Simão

Vamos para o algodão.

 

Até o começo dos anos 1990 os bancos da região faziam anualmente muitos contratos de financiamentos para lavoura de algodão. Cultivava-se o algodão arbóreo consorciado com lavouras de milho e feijão. Esperava-se no primeiro ano pouca safra, o maior interesse do agricultor era o que chamava de “enraizar”,  ou seja,  a planta formar bem. Nos anos seguintes – até o quinto ano – esperava-se uma boa safra. Era manter limpo de pragas e das ervas concorrentes e todo ano plantar nos espaçamentos do algodão, o milho e o feijão. Era um cultivo de baixo custo e que mantinha os trabalhadores no campo. Era um cultivo basicamente de pequenos produtores.   

Depois veio a praga do bicudo do algodão, exigindo um custo maior com defensivos agrícolas e o envenenamento dos campos e rios e depois  a busca para liberar mão-de-obra desse grande depósito de mão de obra que é o nosso nordeste. Na década de 1990  retiraram subitamente os subsídios que haviam para o financiamento das  culturas. Os agricultores que viviam vida de poucos recursos, pegavam o financiamento do banco, compravam sementes, adubos e defensivos e o resto era para fazer a feira e assim viviam vida pacata. A retirada do subsídio quebrou esta cadeia e levou-os a migrar para a cidade como o capital queria e eles vieram  se juntar ao exercito de consumo e trabalho nas cidades.

 

De Claudio Guerra para o baú de Macau