Mano, diga que é pato!

0

Sir-Francis-BaconPara Bacon {Francis Bacon] filósofo que nasceu em 1561 e morreu em 1626 e chamado de o “primeiro dos modernos e o último dos antigos” o homem tende  a acreditar naquilo que lhe é mais favorável. Para ele, trata-se de uma inércia do espírito que considera apenas o que é conveniente, como por exemplo, na astrologia só o que deu certo é que é afirmado e o que não deu certo foi esquecido.  

Esta leitura me fez recordar dois fatos em Macau. Um deles foi com Lindalva, uma simpática senhora que morava na frente de casa e que gostava de apresentar-se como cartomante. Depois de muito insistir “botou as cartas” para mim e viu coisas boas e más, com a condicional, “pode ser e pode não ser, depende de você”.

A outra história me contaram e  eu  reconto. É uma história acontecida em Macau nos tempos que as almas vivas e mortas viviam aperreando crianças e adultos. Conta-se que uma noite de chuva torrencial, vento forte e escuridão de breu, duas crianças dormindo sozinhas em sua casa na antiga rua do Boi Choco ouviram um barulho no quintal – um horrível barulho a indicar que eram as almas que vinham lhes aperrear. Mas se criavam patos naquele quintal e então o menorzinho cutucando o irmão mais velho que também tremia de medo saiu-se com essa: — — Mano, diga que é pato, diga!

De Claudio Guerra para o baú de Macau