Pendências e o bombardeio da Barreira do Inferno

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Pendências, terra de vaquejadas. 1962. Arquivo de Getúlio Teixeira

Pendências, terra de vaquejadas. 1962. Arquivo de Getúlio Teixeira

Com o golpe de 1964 iniciou também a invencionice e a deduragem pelo Brasil afora. Em Macau inventaram um caso de armas enterradas numa fazenda, provocando sofrimento para muitos macauenses, torturados para dizer onde estavam escondidas as armas que nunca existiram e que fora fruto da denúncia de um sacripanta que queria se livrar de uma dívida e inventou a história para que o seu credor fosse preso e parasse de cobrá-lo.

Bastava não gostar da pessoa para acusa-la de comunista – o palavrão da época. E a ditadura, ávida por justificar o golpe e todos os abusos e absurdos que cometia buscava prender os supostos comunistas. E o acusado que se virasse para provar o contrário.  

Pesquisando o material da base de dados do RN- Nunca Mais do qual o baú de Macau faz parte, deparamo-nos com o Informe Confidencial nº 29 de 25 de abril de 1971 do Ministério da Aeronáutica que noticia o recebimento de uma denúncia contra um grupo de cidadãos de Pendências -– citando os nomes, inclusive — que fazem treinamento regular com o objetivo de bombardear a Barreira do Inferno. O informante diz ainda que já existem cerca de 300 pessoas alistadas pelos subversivos. Pasmem que um dos mais conhecidos embates durante a ditadura foi a Guerrilha do Araguaia, cujo número de combatentes contra a ditadura não ultrapassou uma centena.

Para que não esqueçamos, esses eram os tempos da ditadura.

De Claudio Guerra para o baú de Macau