Meu Filho, Meu Tesouro, Minha República dos Ovos de Ouro no Berço da Mafiocracia”: A formação da Mafiocracia no Brasil, de Paulo Augusto e João Eudes

0

Obra:  “Meu Filho, Meu Tesouro, Minha República dos Ovos de Ouro no Berço da Mafiocracia”: A formação da Mafiocracia no Brasil

Autores: Paulo Augusto e João Eudes 

ImagemOs autores, o Jornalista Paulo Augusto e o Produtor Cultural João Eudes, muito fizeram por Macau e todas as boas notícias da cidade que ganharam a mídia além do istmo se deve aos dois. Eles impetraram várias ações judiciais para desmanchar os maus feitos dos políticos de Macau, como por exemplo, o fim do  lixão do Maruim, a reforma do Teatro Hianto de Almeida,  o fim da vala a céu aberto no Porto de São Pedro e outras ações judiciais,  todas em benefício dos macauenses e servindo de exemplo e modelo para cidadãos de outros municípios que se espelharam nas ações judiciais de Macau. Ao menos, tres ações judiciais em favor da cidadania tendo Macau como microcosmo me instigaram a escrever os  livros que ganharam a mídia nacional.

O livro que os autores estão lançando agora é sem dúvida o dossiê mais completo sobre o que as oligarquias podem fazer contra o povo. Um Estado modesto como o Rio Grande do Norte tornou-se uma república dos ovos de ouro como bem destacaram os autores. É leitura indispensável para entender o Rio Grande do Norte da atualidade.  

De Claudio Guerra para o baú de Macau  

Resenha:

Sabemos todos que, no Brasil, de modo geral, uma carreira política é um bem dos mais valiosos, já que se garante, com a sua cuidadosa manutenção, fortuna e prestígio, além de dominação e influência social, oriundas da grande quantidade de dinheiro, posses, bens materiais e propriedades que a atividade possibilita, assegurando condições de se galgar ascendência sobre os outros nas relações com estes mantidas, a qual se manifesta por meio de hierarquias bem estabelecidas. Haja vista a importância, no mais das vezes absurda, que ganharam, entre nós, aqueles que ocupam cargos e funções de ministros, senadores, governadores, deputados, ou até mesmo aqueles que desempenham o papel de simples vereadores. Tornou-se comum, por isto mesmo, além dessa afluência material, consignada em grandes fortunas, permitir-se aos políticos, de maneira geral, viver no fausto e no luxo, alçando, o profissional que se dedica ao cultivo dessa profissão, a condição de um perfeito aristocrata, compondo a classe ou o conjunto dos ricos em nossa sociedade.

Por tratar-se de uma ocupação que oferece oportunidades de progresso permanente, onde o profissional dessa atividade vê-se como objeto de promoções incessantes e seguras, confundindo-se, no mais das vezes, com os famosos marajás (“funcionário público ou de empresa pública cujo salário e demais vantagens são exorbitantemente altos”), essa atividade, não raras vezes, é passada de pai para filho, como se fora uma joia de família que, evidentemente, se transmite apenas entre os de mesmo sobrenome.

Chegou-se ao ponto, no Brasil, de se constatar situações em que muitos políticos preferem investir no futuro político de seus filhos, em especial naqueles que revelam esperteza ou astúcia, a investir, por exemplo, numa poupança ou garantir uma faculdade de excelência para eles. Desse modo, como se verifica facilmente, ser político tornou-se um ofício, ou seja, o exercício de um cargo público para o qual se exige uma série de conhecimentos específicos, ou mesmo de perícia, que, adquirida por meio de aprendizado sistemático, se aprimora com o correr do tempo, na prática. Engana-se quem pensa, por afobação ou precipitação, tratar-se de uma tarefa fácil. São muitas as qualidades requeridas, e leva-se tempo para ensinar aos sucessores, especialistas ou expertos que irão atuar direta ou indiretamente na política, como passar credibilidade para o público-alvo: o eleitor.

Depois de estudarem com afinco a formação, no Rio Grande do Norte, da Dinastia Alves, ou seja, o conjunto de conhecimentos e habilidades específicos a esse campo de atividade prática e intelectual que permitiu à Família Alves galgar todas as posições de relevo no campo da gestão pública no estado potiguar e no Brasil, que apresentaram no livro “A Botija – A Bolsa da Família Alves – Porque o Rio Grande do Norte (e o Brasil) não pode crescer”, obra que vem obtendo a maior aceitação entre os aficionados, entusiastas e afeiçoados à administração pública, os estudiosos e pesquisadores políticos norte-rio-grandenses Paulo Augusto e João Eudes retornam ao tema, desta feita fazendo uma minuciosa exposição acerca da transição que se dá na evolução da atual campanha política, com a apresentação da obra “Meu Filho, Meu Tesouro, Minha República dos Ovos de Ouro, no Berço da Mafiocracia”, trazida a público pelo mesmo selo da Comunidade Norte-Rio-Grandense de Defesa da Cidadania – Comunidade/RN).

Filhotismo: mal que nos lança de volta ao passado

No livro, que se encontra à venda nas livrarias Saraiva, Nobel e Independência, e em algumas bancas da avenida Rio Branco, na Cidade Alta, os autores procuram levantar uma reflexão a respeito da nova filosofia – o Filhotismo -, que é o mais novo conjunto de especulações teóricas que compartilham com a religião a busca das verdades primeiras e incondicionadas, movimento que ganhou destaque no Rio Grande do Norte, onde os pais-políticos se sacrificam em prol dos filhos. Tal filosofia, conforme comprovam os autores através de vasta gama de experiências relatadas, afirma-se de modo absoluto como embasamento de uma atividade que se confirmou como progressista, por oferecer a seus participantes apenas coisas boas, com base nas boas causas.

Ou seja, como se prova ao cabo e ao rabo, a política demonstra ser uma prática inclusiva e salvadora para quem a abraça, embora seja exercitada pelos ricos, mas que pode ser igualmente exercida pela massa de nossos pobres concidadãos.

 “O momento é dos mais propícios, totalmente favorável, pois os sinais apontam o incêndio na mata e, quando a mata pega fogo, leão e preguiça correm juntos”, afirma João Eudes, recorrendo a uma configuração linguística de ordem profética ou oracular.

 “É uma unanimidade que no Rio Grande do Norte precisamos todos nos unir para enfrentar a crise de esperança em melhores dias, a crise da falta de perspectivas e horizontes. Somente com uma grande participação na vida política a gente pode achar uma saída”, prossegue João Eudes, acrescentando: “Necessitamos de homens honrados que cuidem e zelem pela honra e a dignidade das nossas famílias.”

Com base no registro de 1.490 jovens potiguares que tombaram assassinados de janeiro para cá, de diversas maneiras, João Eudes acredita que tais crimes poderiam ter sido evitados se existissem pelo menos 16 centros ou academias para instruir o povo sobre a arte da política.

 “Não devemos nos enganar. A atividade econômica que mais vai crescer no RN é a atividade política. Temos 32 empresas-partidos, e vão surgir muito mais. E todos podem participar. Não há discriminação. Basta estudar os grandes nomes da política internacional — Mao Tsé-Tung, Getúlio Vargas, Fidel Castro, José Serra, Bill Clinton, Margareth Tatcher — para se comprovar o bem que faz essa atividade. Vamos todos juntos caminhar, em perfeita união. Já que isto está no sangue do povo potiguar, que sempre lutou em torno da política.” 

Segundo João Eudes, “os líderes funcionam como uma enciclopédia, uma Bíblia, como se comprova pelos seus acertos. O que estamos dizendo é que na política temos boas coisas e ótimas causas. Haja vista o que dizem os políticos, para justificar a indicação de um filho ou de um parente, na perpetuidade de sua família nesta profissão: ‘É porque a gente confia. Quando a gente ama, indica e vota em quem confiamos’.”

Filhotismo Brasil afora: uma rede de corrupção

O Brasil pôde assistir em maio deste ano, conforme noticiado pelo Jornal De Fato de 29 de maio de 2014, o destaque dado pelo noticiário nacional ao encontro da presidente Dilma Rousseff (PT) com os chefes de oligarquias matriculados no PMDB, ocorrido em Brasília (DF). Naquela reunião, assistiu-se os caciques pedirem a bênção da presidente aos seus filhos, nomes lançados nas campanhas de cada estado brasileiro, e que disputarão o governo de seus respectivos territórios.

Assim, foram apresentados na ocasião Renan Filho, herdeiro do presidente do Senado, Renan Calheiros (Alagoas); Helder Barbalho, filho da Jáder Barbalho (Pará); Lobão Filho, que tem como pai Edison Lobão (Maranhão); Rodrigo Jucá, filho de Romero Jucá (Roraima).

 “Essa é uma prática comum e cada vez mais presente na política brasileira, por isso, a enorme dificuldade de renovação de quadros e, por consequência, a longa vida das oligarquias na atividade pública do País”, observava o jornal.

Ao contrário do que se imagina, essa não é uma característica exclusiva de regiões menos desenvolvidas nem de determinados partidos políticos. Alcança a quase totalidade dos partidos e todas as regiões.

 “Na região Nordeste, podemos citar casos como os de Garibaldi Alves (PMDB-RN), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Wilson Santiago (PTB-PB), que lançaram os filhos, e o senador Vital do Rego (PMDB-PB) e o deputado João Maia (PP-RN), que lançaram irmãos, e o deputado Oziel Oliveira (PDT-BA), que lançou a mulher. Na Sudeste, lembramos os casos de Anthony Garotinho (PR-RJ), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Newton Cardoso (PMDB-MG) e Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que lançaram os filhos, o senador Zezé Perrella (PDT-MG), que lançou o filho. Na região Centro-Oeste, podemos mencionar os casos do deputado Armando Vergílio (SD-GO) e de Maguito Vilella (PMDB-GO), que lançaram filhos. Na Sul, os atuais deputados Vilson Covatti (PP-RS) e João Pizolatti (PP-SC) lançaram também seus filhos. E, na região Norte, lembramos os casos de Marcelo Miranda (PMDB-TO), que lançou a mulher, de Arthur Virgílio (PSDB-AM), que lançou o filho, de Natan Donadon (PMDB-RO), que lançou a irmã, além do candidato a governador Neudo Campos (PP-RR), que lançou o filho.” (http://m.congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/eleicao-para-a-camara-a-logica-do-cada-por-um-si/)

O atraso como política de “desenvolvimento”

Para o leitor/eleitor/contribuinte/cidadão, vale a pena uma visita ao site http://noticias.uol.com.br/ que, em 11 de novembro de 2013, postou matéria acerca da tradição brasileira de manutenção das oligarquias em nível nacional, relacionando, em cada estado brasileiro, o que nos recorda José Honório Rodrigues (1913 — 1987), um dos mais importantes historiadores brasileiros do século XX, na sua obra “Conciliação e Reforma no Brasil” (págs 115, 119 e 189), ao comentar acerca do “domínio oligárquico de pequenas minorias e seus protegidos, o nepotismo, o filhotismo, o genrismo (e) o compadrio (que) tornavam impossíveis as transformações sociais (e) as reformas estruturais” no país. Falando sobre nossas chamadas elites, José Honório Rodrigues enfatiza que “O personalismo da sua ação política foi predominante. Raras vezes o corrigiu pela ênfase aos problemas e não às pessoas. As considerações afetivas complicam a direção dos negócios públicos, e daí o filhotismo, o nepotismo, o genrismo e outras formas comuns de favorecimento ligados aos personalismos, à relação patrão-cliente do estado, a que aderem todos os políticos desde os mais oligárquicos aos mais trabalhistas (…). Some-se a isso a personalização, a ausência, a omissão ou o desinteresse dos políticos pela solução dos problemas, sua impermeabilidade às idéias, a mecanização da imitação européia e depois americana, a falsidade e infidedignidade da representação (…).” Sublinhando ainda José Honório: “A política brasileira, encarnada em lideranças retardatárias, é, assim, dominada pela continuidade da vagareza, pelos momentos de recuo e não pelo instantes de impulso (…) A obstinada resistência às reformas, consideradas sempre inoportunas e sempre adiadas, revelava que o país era sempre dirigido por uma minoria não criadora, mas dominadora, na terminologia de Toynbee, que perdia todas as oportunidades de agir em benefício de toda a sociedade.”

Famiglias que dominam o tabuleiro político

No site do Uol, constata-se o domínio de poucas Famíglias, no espectro político-administrativo, como anota as observações a seguir:

 “Família Alves, Rio Grande do Norte

O atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, faz parte da uma das famílias mais influentes na política potiguar. Candidato ao governo do Rio Grande do Norte, é filho de Aluízio Alves, ex-deputado federal, ex-governador do Estado e ex-ministro da Administração e da Integração Nacional, nos governos Sarney e FHC, respectivamente. O irmão de Aluízio, Agnelo Alves, já foi prefeito de Natal e é pai do atual chefe do Executivo municipal, Carlos Eduardo Alves. Ele, por sua vez, é primo do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, que é filho do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Felipe Alves (PMDB), vereador de Natal, é sobrinho de Garibaldi Alves Filho.

Família Rosado, Rio Grande do Norte

A atual governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini Rosado, que não disputa as eleições de 2014, faz parte de uma das famílias mais tradicionais da política potiguar: os Rosado. Ela é casada com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, quehoje atua como secretário-chefe do Gabinete Civil da sua gestão. Carlos Augusto Rosado, por sua vez, é filho do ex-governador potiguar Dix-sept Rosado (1911-1951). O cunhado de Rosalba, filho de Dix-sept Rosado, Betinho Rosado é deputado federal

Família Maia, Rio Grande do Norte

O presidente nacional do DEM, José Agripino Maia, também vem de uma família tradicional na política no Rio Grande do Norte. É filho do ex-governador do Estado Tarcísio Maia, sobrinho de João Agripino Filho, que foi governador da Paraíba entre 1966 e 1971, e primo de segundo grau de Lavoisier Maia Sobrinho, ex-deputado estadual que também foi governador do Rio Grande do Norte, entre 1979 e 1983. O filho de José Agripino Maia, Felipe Maia, também segue os passos do pai. É atualmente deputado federal e candidato à reeleição. Agripino Maia também é primo do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. O seu filho, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também envereda pelo mesmo caminho: cumpre mandato de deputado federal e se candidatou à reeleição.” 

 (Consultar:

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/11/familias-dominam-politica-brasileira-desde-a-colonizacao.htm#fotoNav=15

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/11/familias-dominam-politica-brasileira-desde-a-colonizacao.htm#fotoNav=16

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/11/familias-dominam-politica-brasileira-desde-a-colonizacao.htm#fotoNav=17.)

Só o eleitor pode resolver essa balbúrdia

No caso dessa perpetuidade, o que pode ser entendido como um caminho natural é, segundo especialistas, a expressão dos traços oligárquicos que sempre estiveram presentes na política brasileira.

 “Segundo o cientista político e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Michel Zaidan, essa família política, na verdade, tem origem na família patriarcal colonial, matriz da formação do Estado brasileiro. “É como Gilberto Freyre aborda em sua obra: a família patriarcal é a dominação primeira do Brasil e se pode perceber a sobrevivência desse grande patrimonialismo até hoje na política brasileira”, diz.

Em seu livro ‘Teias do Nepotismo’, o cientista político, sociólogo e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Ricardo Costa de Oliveira, investiga, entre outras questões, as relações de parentesco entre os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Segundo ele, dois terços dos senadores são membros de famílias políticas e metade dos deputados federais pertence a clãs influentes politicamente.

 ‘Quando nós analisamos os jovens deputados federais, aqueles com menos de 35 anos, quase todos também pertencem a famílias políticas, e os nossos dados de pesquisa mostram que esse é um fenômeno em crescimento no Brasil’.

Ainda de acordo com Oliveira, grande parte dessas famílias têm raízes no período colonial. ‘É o caso da família Andrada em Minas Gerais, que está há cinco gerações no parlamento. Em cada estado da federação, nós ainda encontramos muitas famílias que tiveram origem no latifúndio. Quanto mais local, mais esse fenômeno se acentua’, diz.

Ricardo Costa de Oliveira afirma ainda que há processos de renovação, como o ocorrido no início dos anos 1980, com a redemocratização, quando novas figuras ganharam espaço na política brasileira. “Mas, quem entra no poder acaba se fechando. Pode notar que boa parte da política brasileira ainda é comandada por quem já comandava no início da redemocratização.”

 (“Tradição familiar da política brasileira, que remonta à colonização, deve manter-se na eleição de 2014”, http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/11/familias-dominam-politica-brasileira-desde-a-colonizacao.htm.)

Política: diversificar os investimentos – regra básica de todo bom operador de negócios

Como assinala o jornalista Chico de Gois, no capítulo Filhos da política, Herdeiros, do livro “Os bens que os políticos fazem – Histórias de quem enriqueceu durante o exercício dos mandatos” (Rio de Janeiro: LeYa, 2013, págs. 255-259), “Essas jogadas políticas assemelham-se a estratégias de grandes empresários que estudam onde é melhor erguer uma filial. O pior que pode acontecer para uma família de políticos é ir à bancarrota eleitoral, sem que seus membros nunca mais conquistem um lugar ao sol. É a falência sem direito à concordata. Por isso, zelosos pelos seus, eles diversificam os investimentos – regra básica de todo bom operador de negócios – ocupando cargos em poderes distintos. Alguns filhos surpreendem. Com o passar do tempo conseguem ser mais astutos que quem tudo lhes ensinou. Chegam a ser tão bons que, não raro, em sua primeira candidatura, embora jovem na idade, suplantam os pais na riqueza. Jovens de talento, de fato.”

 No Rio Grande do Norte: as dinastias tomam posição

Assim é que, no Rio Grande do Norte, a política também é passada de pais para filhos, perpetuando nomes familiares no poder, a exemplo de verdadeiras dinastias, sucessão de herdeiros e continuadores de magnatas que se apossaram dos cargos eletivos em cada unidade da Federação.

Como o eleitor pode perceber, para as eleições de 2014, quase uma dezena de pais com mandatos indicaram seus filhos para ampliar a participação em cargos eletivos, sem que com isso haja qualquer movimento social, com uma reação qualquer da população eleitora nas ruas do nosso Etado ou mesmo de todo o país.

No Rio Grande do Norte, especificamente, vê-se o quadro a seguir:

1 – O ministro Garibaldi Alves Filho (PMDB), que já tem o pai senador, Garibaldi Alves, vem envidando todos os esforços para eleger o filho Walter Alves (PMDB), 34 anos (27/02/1980), deputado federal, sem contar, claro, que tem o primo disputando em outra ponta, como candidato a governador, deputado Henrique Eduardo Alves, presidente do PMDB, 65 anos (09/12/1948). Henrique, cuja única experiência política reside na manutenção, há 11 legislaturas, do cargo de deputado federal, foi eleito pela primeira vez pelo Rio Grande do Norte em 1970, sendo reeleito em 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

2 – O presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (Pros), além de tentar a própria reeleição, não medirá esforços para eleger o filho, o atual vereador Rafael Motta (Pros), de 28 anos (15/08/1986), federal.

3 – O vice-governador Robinson Faria (PSD) negocia, de todas as formas, para viabilizar a reeleição do filho deputado federal Fábio Faria (PSD), 37 anos (01/09/1977).

Na campanha eleitoral 2014 do RN, há outros candidatos também estribados, como Robinson Faria (PSD), 55 anos, cujo filho, Fábio Faria (PSD/RN), 37 anos, que ele, o pai (e o eleitor do RN), galgou à condição de deputado federal, aproveitando a condição endinheirada que ocupa no Congresso, dá-se ao luxo de realizar a fantasia de viver o papel de um “Don Juan”, sendo no momento o pai do futuro filho de Patrícia Abravanel, filha do apresentador Silvio Santos. Isso depois de ter frequentado a alcova de beldades do panteão televisivo como a modelo, ex-BBB e também apresentadora Sabrina Sato, a apresentadora de TV Adriane Galisteu e a atriz Priscila Fantin. Na condição de “Don Juan”, personagem que demonstra cobiça de bens materiais e luxúria carnal, confundindo amor com concupiscência, vem “deixando atrás de si um rastro de corações partidos”. Não é por menos que, como deputado-playboy, “Fábio é bastante conhecido na mídia, mas por ter fama de interesseiro pois namorou com famosas e engravidou a fi lha do homem mais famoso do país”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fabio_Faria.>    Acesso em: 05 jul 2014.)

Entre os fatos folclóricos que marcam a vida parlamentar de Fábio Faria, conta-se: “Quando namorou Adriane Galisteu, em 2008, Fábio teve seu nome envolvido na ‘farra das passagens aéreas’. Na ocasião, o deputado usou sua cota parlamentar para pagar viagens de sua então namorada, da mãe dela e de artistas contratados para participar do seu camarote no Carnatal. Além disso, o político usou os recursos da Câmara para comprar os bilhetes para os atores Samara Felippo, Kayky Brito e Sthefany Brito participarem de seu camarote no Carnaval fora de época em Natal. Tanto Galisteu quanto os artistas esclareceram que não sabiam da origem do dinheiro”. http://celebridades.uol.com.br/noticias/ redacao/2013/11/06/patricia-abravanel-e-fabio-faria-estao-juntos-ha–quatro-meses.htm>   Acesso em: 05 jul 2014.)

Afora isto, o pai – Robinson – declarou à Justiça Federal, nesta campanha, na coligação Liderados Pelo Povo (quanta ironia!) um patrimônio no total de R$ 8.333.819,99 (oito milhões, trezentos e trinta e três mil, oitocentos e dezenove reais e noventa e nove centavos – Você acredita?!), que teria acumulado ao longo de seus 28 anos de política, eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986, sendo reeleito outras cinco vezes seguidas, podendo gastar até o limite de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais) na lambança da conquista de votos.

Já Fábio Salustino Mesquita de Faria tem mais dois registros na internet, onde aparece como candidato a Deputado Federal, nos anos de 2006 e 2010, com suas respectivas declarações. Vejamos como se deu a evolução do seu patrimônio, a partir de sua vivência como parlamentar, na defesa dos interesses do povo do Rio Grande do Norte, conforme seu solene juramento, no dia de cada posse:

Em 2010, conforme o valor total dos bens declarados, chegava a R$ 1.926.528,69

Já em em 2014, o valor total alcançava, conforme declarado, R$ 5.064.671,50 (cinco milhões, sessenta e quatro mil, seiscentos e setenta e um reais e cinquenta centavos), e pode gastar na campanha até o limite de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) para manter-se no ritmo do seu bem-sucedido dom-juanismo, sua fantasia erótico-romântica no Olimpo das celebridades às custas do zé povinho.

 

http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/sistema-de-divulgacao-de-candidaturas>

Acesso em: 20 jul 2014

4 – O senador José Agripino está rifando o seu partido, o DEM, na tentativa de renovar o mandato do filho, deputado federal Felipe Maia (DEM), 40 anos (07/12/1973).

Com referência às declarações de renda dos filhotes, há casos em que o patrimônio amealhado na política pelos filhos supera o dos próprios pais, havendo verdadeiros magnatas. Não é o caso de Felipe Maia, que aos 40 anos, apresenta a maior lista de bens declarados ao TSE, em apenas três legislaturas, a partir de 2006.

Valor total dos bens declarados em 2006:            R$ 3.889.077,82

Valor total dos bens declarados em 2010:            R$ 7.403.227,92

Chega a 2014 com um total declarado de R$ 15.488.385,00

 (Consultar: http://www.asclaras.org.br/partes/candidato/@bens.php?id=81339&orig=exc

http://www.excelencias.org.br/@parl.php?id=5871

http://www.excelencias.org.br/@parl.php?id=5871.

Felipe Maia: operador de sucesso na Bolsa de Valores da Política

Basta ver no que deu a viração de Felipe Maia, 41 anos, desde que adentrou a seara política. Conforme noticia o Jornal de Hoje, de 06 de julho de 2014: “O filho do senador José Agripino, deputado federal do DEM e candidato à reeleição, Felipe Maia, é mais rico do que o candidato a governador do RN e atual deputado federal, Henrique Alves, do PMDB. “Felipe declarou à Justiça Eleitoral, um patrimônio de R$ 15.488.385,08. Uma fortuna em mais de R$ 3 milhões superior do que a de Henrique, que é de R$ 12.284.019,98. “O bem mais valioso do democrata, segundo informado por ele à Justiça Eleitoral, é um apartamento no edifício Mozart Romano, localizado na rua Pinto Martins, em Areia Preta – Natal, que vale R$ 853.563,12.” (http://jornaldehoje.com.br/henrique-e-mais-rico-que–dilma-wilma-de-campos-e-felipe-maia-de-todos/> Acesso em: 06 jul 2014.) Na declaração de seu patrimônio à Justiça Eleitoral, Felipe Maia não insere os negócios que faz com o querosene de aviação. “A declaração de bens deve, obrigatoriamente, ser apresentada à Justiça Eleitoral por quem deseja disputar um cargo eletivo. Após ser entregue, torna-se um documento público”, diz o jornal, sem levantar questionamento acerca da autenticidade dos dados fornecidos. Veja essa informação do jornalista Ailton Medeiros: “A Petrobrás deu convite para genro de Dilma assistir ao GP de F-1. Bobagem! Danosa é a relação da Petrobras com o Deputado Felipe Maia, filho do senador Agripino Maia. Concedeu-lhe o direito de vender exclusivamente querosene de aviação no aeroporto Augusto Severo. A empresa de Felipe fatura 100 milhões de reais por ano.” Ailton Medeiros, 28 de março 2014,

https://www.facebook.com/ailton.medeiros.3> Acesso em: 18 jul 2014

Para assegurar a continuidade do fornecimento do querosene de aviação, abastecido pela Petrobrás, inclusive no novo Aeroporto Internacional de São Gonçalo, seu papai chegou a ameaçar que “subiria até em coqueiros”, em troca de votos para o “Acórdão”, para que o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) lograsse junto à presidente Dilma Rousseff a exclusividade do fornecimento de querosene de aviação para o seu rebento, no projeto do novo Aeroporto de São Gonçalo, o que foi granjeado pelo filho de Aluízio Alves… Além do mais, ele tem o mandato de deputado federal, de onde usufrui todas as mamatas oferecidas a um parlamentar do Congresso Nacional, no caso de deputado, uma soma de benefícios que alcança R$ 1.800.000,00 (Um milhão e oitocentos mil reais) por mês. “O valor abrange os gastos cobertos pelo eufemismo que se costuma empregar de ‘verba indenizatória’. O valor, embora aparentemente polpudo, é resultado de provimentos mensais com que cada gabinete é agraciado, e que compreende, em geral, pagamento pela mão-de-obra de 15, 20 e até 35 assistentes parlamentares, para consultorias, verba para custear despesas de serviços gráficos, correios, assinatura de jornais e revistas, deslocamentos por toda a cidade, para custear despesas com passagens aéreas, para ressarcir despesas com locação de imóveis, materiais de escritório, abastecimento de seis, dez e até 20 ou 30 veículos por gabinete (combustíveis e lubrificantes, o parlamentar informa o quanto deverá gastar no mês e recebe o valor referente), ticket-alimentação, telefone (plano empresarial pós-pago), divulgação de mandato etc.” (Ver o livro “A Botija – A Bolsa da Família Alves – Porque o Rio Grande do Norte (e o Brasil) não pode crescer”, Paulo Augusto e João Eudes; Edição da Comunidade Norte-Rio-Grandense de Defesa da Cidadania – Comunidade/RN, Natal, Rio Grande do Norte, novembro de 2013.)

Ainda por cima, se a Justiça brasileira não fosse tão conivente com os atos de improbidade administrativa de nossos agentes públicos, há muito que teria havido uma limpeza na nossa política. Mas faz parte da engrenagem da Mafiocracia.

Veja esse caso com o filho do senador José Agripino Maia: O Deputado Felipe Maia responde processo por ter usado o seu mandato para obter vantagens. Segundo jornal Correio Braziliense de agosto passado, o deputado Felipe Maia poderia não ser candidato se a Corregedoria da Câmara não fosse tão lenta. Empresas de Felipe Maia têm contrato com a Petrobras. Caso foi mostrado pela revista Veja em 2011, mas ainda não foi apurado. A reportagem do Correio Braziliense ressalta que os prazos existem, mas não são cumpridos. Em tese, após chegar à Corregedoria, o processo tem, na melhor das hipóteses, quatro meses para ser devolvido à Mesa Diretora, com o parecer do corregedor. Alguns casos, no entanto, estão parados há quase dois anos.

O caso de Felipe Maia é um exemplo disso. A denúncia de que ele teria contratos com o poder público está “rolando” desde agosto de 2011, quando uma reportagem da revista Veja mostrou o fato do filho de Agripino ser dono de duas empresas de abastecimento e transporte de combustível com contratos com a Petrobras, mesmo a Constituição senso clara sobre isso. “Os deputados e senadores não poderão (…) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público”, afirma o artigo 54 da Constituição brasileira.

 “Essa lentidão não se deve ao rito exigido e nem a um suposto corporativismo entre os parlamentares, é descaso mesmo. Muitos deles têm a sensação de que não devem explicações aos eleitores, só têm compromisso consigo mesmos. Para mim, é mais um sinal da degradação dessas instituições”, analisa Cláudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil. (http://jornaldehoje.com.br/felipe-maia-responde-processopor-ter-usado-mandato-para-obter-vantagens/

5 – A deputada federal Sandra Rosado (PSB), além do projeto de reeleição, trabalha para tornar elegível a sua filha, deputada estadual Larissa Rosado (PSB), 40 anos (22/07/1974).

6 – A vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), além do projeto de candidatura ao Senado, cuida da reeleição da filha deputada estadual Márcia Maia (PSB), 49 anos (14/02/1965).

7 – Fazendo de conta que não é nem com ele, o deputado estadual Antônio Jácome (PMN) “esquece” que sofreu processo de exclusão do pastorado da Assembleia de Deus por causa de adultério, que resultou em grande escândalo em 2011, e trabalha com grande perseverança tanto para disputar uma vaga à Câmara dos Deputados, querendo aumentar seus salários, em Brasília, como avisa aos seus eleitores evangélicos que a vaga na Assembleia Legislativa ficará para o seu filho, o vereador Jacó Jácome (PMN), 22 anos (29/01/1992).

Conforme se pode ter acesso na internet, “O deputado estadual Antônio Jácome (PMN) não pode mais usar o púlpito da Assembleia de Deus para ser pastor. Ele foi excluído da função por uma comissão formada pelos pastor Elinaldo Renovato de Lima, Martim Alves (presidente da Assembleia de Deus de Mossoró) e Edson Neto, além dos evangelistas Marcos Mendes e Diógenes Lopes. O parlamentar é acusado de adultério com duas pessoas.

 “De acordo com informações exclusivas colhidas pelo blog, as duas ex-amantes do deputado seriam uma advogada e uma fisioterapeuta. Esta última teria se envolvido com o parlamentar nos anos de 2000 e 2006, enquanto a advogada teria um envolvimento com Jácome em 2010.

 “Segundo o relatório entregue com provas documentais e testemunhais, Jácome namorou com a fisioterapeuta em 2006 e a teria engravidado. De acordo com a denúncia entregue à direção-geral da Assembleia de Deus do Rio Grande do Norte, o parlamentar supostamente teria obrigado a mulher a abortar. No depoimento, ela conta detalhes de como o fato teria ocorrido. Em razão de se tratar de informações apenas testemunhais, o blog se omitará a publicá-las.

 “Com a advogada o relacionamento foi extra-conjungal, mas não houve gravidez.

 “O assunto foi tratado dentro da Assembleia de Deus como um ‘escândalo’ devido à doutrina da igreja, que é terminantemente contra o adultério e o sexo fora do casamento. Além disso, muitos pastores se sentiram decepcionados porque a base política de Antônio Jácome – o deputado mais votado das eleições de 2010 no Rio Grande do Norte – é toda ela evangélica.”

 (“Deputado Antônio Jácome é excluído do pastorado da Assembleia de Deus por causa de adultério”. terça-feira, 12 de abril de 2011 http://www.pedrocarlos.com/2011/04/deputado-antonio-jacome-e-excluido-do.html> Acesso em: 10 set 2014.)

8 – O deputado federal Betinho Rosado (PP), que não pôde ser candidato à reeleição, tendo sua candidatura vetada pelo TRE, como a maioria de políticos “fichas-sujas”, apostam em parentes para manter o poder, e também se dedica ao projeto de candidatura do filho Betinho Segundo Rosado (PP), 32 anos (01/02/1982), à Assembleia Legislativa.

Brasil: acometido por um surto de corrupção sistêmica sem precedentes em toda sua história

As relações que se  estabeleceram, no Brasil, de favoritismo e favorecimento entre corporações da mídia, o Judiciário, o mundo político, empresas e empresariado, em geral, além de partidos políticos e seus dirigentes, colaboram, de modo insofismável, para que se entenda essa aliança como resultante e convergente para a instituição de um Estado mafioso. E onde, evidentemente, floresce um Estado mafioso germina uma “mafiocracia”. Advertimos que estamos apenas a levantar algumas suposições, meras hipóteses e conjecturas, acerca da permanência desse conluio, que deve ser dissecado, indiscutivelmente, por cientistas políticos, antropólogos e estudiosos gabaritados para tal encargo. Procuramos levantar tal pressuposição diante do quadro com que nos deparamos, “no Brasil desses novos tempos, que parece ter sido acometido por um surto de corrupção sistêmica sem precedentes em toda sua história (colonial, imperial e republicana), sequer imaginada por Rui Barbosa, defensor da República”, como recorda o estudioso Rivadavia Rosa, no seu Blog http://gracanopaisdasmaravilhas. blogspot.com.br/2012/10/o-estado-mafi oso.html (Acesso em: 28 jul 2014.)

 “O Estado se converte em Estado mafioso (crime organizado) quando grupos e facções tomam as instituições e as saqueiam em benefício pessoal. Os partidos políticos, grupos e facções políticas de viés antidemocrático têm características comuns com as organizações criminosas, o que permite apoio mútuo e em muitos casos associações e parcerias de ‘sucesso’. O mesmo acontece com as estruturas informais para receber fundos pelo próprio sistema que geram e compartilham espaços marginais, como por exemplo: as mesmas redes de lavagem e legalização de dinheiro, os mesmos assessores legais, os mesmos especialistas fi nanceiros e, em muitos casos, os mesmos aparatos logísticos da clandestinidade que são utilizados no mercado do crime – nas grandes ‘redes’ de narcotraficantes, contrabandistas de armas.” (http://gracanopaisdasmaravilhas.blogspot. com.br/2012/10/o-estado-mafioso.html/

(Acesso em: 28 jul 2014.

O Estado e a sociedade reféns da mafiocracia

Para o deputado Kelps Lima, é preciso urgente tornar o Estado o mais imune possível a um Governador incompetente ou mal intencionado. “Seja ele quem for. Assim, o próximo ‘mandatário’ terá dificuldades em repetir as mazelas, desleixos e vícios que historicamente assistimos no RN. Chega de Governadores que só querem fazer uso do Estado e explorar a máquina pública exclusivamente para fortalecer seu grupo político. Precisamos criar mecanismos para fortalecer o Estado e diminuir o poder dos políticos que ocupam cargos públicos”. (Postado dia 05/02/2014 às 8h00 por: Portal JH, http://jornaldehoje.com.br/deputado-estadual-quer-proteger-estado-proximo-governador-eleito/    Acesso em: 18 jul 2014.