Bom é a liberdade de imprensa

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Jornal Opiniao Carta ao MJ jpg1Nos setenta em Assis, interior de São Paulo era com certa apreensão que íamos à banca de revistas na Avenida Rui Barbosa comprar os chamados jornais da resistência que líamos e discutíamos na república onde morávamos . Um deles era o jornal Opinião que também sofria a censura prévia o que transformara a vida dos jornalistas num inferno. O objetivo da ditadura era sufocar os jornais da imprensa independente até a sua inviabilidade econômica.  O jornal Opinião , que reproduzia artigos do The Washington Post, The Guardian e Le Monde, mantinha sua linha editorial na defesa da liberdade de expressão e a democratização do país na defesa das liberdades democráticas e dos direitos humanos e tinha um viés nacionalista, sempre na defesa da economia brasileira. Ao lado de Movimento, O Pasquim e outros formavam a chamada imprensa nanica ou alternativa nos anos da ditadura de 1964 a 1985.

No Arquivo Nacional www.arquivonacional.gov.br no setor de Coordenação de Documentos Escritos – Documentos do Executivo e do Legislativo sob o número de registro: BR.AN.RIO.TT.O.MCP.AVU.27UD14,  e seguintes  encontramos o verdadeiro calvário a que eram submetidos os jornalistas  por aqueles que à menor suposição de “coisa de comunista” anulava com um xis riscando matérias inteiras, fruto de meses de trabalho. A censura aos jornais veio com o Ato Institucional número 5, o AI-5 em 13 de dezembro de 1968. Jornal Opiniao 1977 jpg3

O jornal Opinião sofreu um atentado a bomba em 15 de novembro de 1976 e seu  último número foi o de número 231 de 8 de abril de 1977 que não chegou às bancas, pois foi apreendido pela ditadura.

É preciso recordar sempre como foi a ditadura e seus ditadores e estar sempre atento aos saudosos daqueles anos infelizes.

De Claudio Guerra para o baú de Macau