Carnaval: dos milagres não obrados e do espírito zombeteiro dos macauenses

0

 

Papangú, carnaval de Macau em 1982. Foto: Claudio Guerra

Papangú, carnaval de Macau em 1982. Foto: Claudio Guerra

E nos oitenta apareceu em Macau o Professor Ferreira, um misto de mago e curandeiro que curava e dava solução para um tudo. Mas despertou a ira dos que não recuperaram um amor perdido. Eram muitos. E despertou a ira dos que não melhoraram a situação financeira. Também eram muitos. E então surgiu uma história de infidelidade. Também eram muitas.

E aí chegou o carnaval e aflorou o espírito zombeteiro dos macauenses que faziam a alegria de muitos, mas criava alguns problemas com outros, mormente aqueles contemplados nas marchinhas carnavalescas, sempre burlescas e provocativas. Era o Bloco do Boi o maior interprete daquelas marchinhas indesejadas.

E estourou no carnaval: Professor Ferreira! Que cura AIDS, chulé e bicho de pé! O resto o povo sabe e canta até hoje!

O Professor Ferreira não esperou o fim do carnaval e foi atrás do trio elétrico que tocava um frevo divino e na rua do Arame pegou o istmo para nunca mais voltar à cidade que ficou com as suas lembranças.

De Claudio Guerra para o baú de Macau