Estética da miséria, número dois

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As veias abertas na ALNessa linha de manutenção da miséria, me recordo ter lido em As veias abertas da América Latina de Eduardo Galeano, que na Argentina em 1914, o presidente da Sociedade Rural, o sindicato dos latifundiários argentinos, afirmava que “Na fixação dos salários é primordial determinar o padrão de vida do peão comum. Às vezes são tão limitadas as suas necessidades materiais que um resíduo tem destinos socialmente pouco interessantes”.  Essa fala demonstra que o latifundiário argentino não via muita diferença entre o peão que contratava e os bois que criavam nas imensas pradarias.

E então, dessa estética da miséria conservada pelos sacripantas que são eleitos para administrar e fiscalizar nossos municípios, recordei-me da história de um amigo numa das eleições de Macau que impunha suas condições para apoiar um candidato a prefeito, riquíssima região salineira e petroleira do Rio Grande do Norte.

O desfecho da conversa foi o seguinte. O candidato a prefeito ao ser instado a distribuir a renda dos royalties do petróleo à população, disse-lhe: ‘Olha isso eu não faço de jeito nenhum, pois sem dinheiro esse povo vive se embebedando, imagine com essa renda do petróleo? E não teve acordo.

Há uma linha de ligação entre os membros da Sociedade Rural Argentina e o candidato a prefeito de Macau. É esta a linha dos que mantém opressores e oprimidos.

De Claudio Guerra para o baú de Macau