Jornalismo em Macau no século XIX

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Excerto da apresentação [1967] de M. Rodrigues de Melo da obra Macau na poesia de Edinor Avelino, do escritor Walter Wanderley[1914/1980]

 

 

Ilustração de Leda Acquarone de Sá

Ilustração de Leda Acquarone de Sá

A história literária do Rio Grande do Norte é contemporânea da letra de forma, da palavra impressa, do jornal político, seguindo o mesmo itinerário geográfico da fundação da imprensa, nos principais municípios do Estado.

Natal, Açu, Moçoró, Macau, eia a ordem cronologia da fundação da imprensa, no Rio Grande do Norte, determinando, por isso, o advento da literatura, ora nos jornais políticos, ora nos jornais puramente críticos e literários.

Era norma, n o século passado, ao lado do jornal politico, de feição conservadora ou liberal, fundar-se o jornalzinho critico e literário, através do qual se permitiu o luxo de dizer tudo quanto convinha publicar no órgão oficial ou oficioso do partido.

Elias Antonio Ferreira Souto, por exemplo, era useiro e vezeiro nesse habito de revelar as duas faces da sua curiosa personalidade, mantendo, paralelamente, as duas armas. No combate aos inimigos da sua causa.

Transferido para Macau, em uma das muitas escaramuças da sua atribulada vida de professor e jornalista, ali fundou, em 1886, o primeiro jornal da cidade. O Macauense, al lado do qual ensejou a publicação de O Patusco, em cujas páginas fazia a radiografias das pessoas que não rezavam  pela cartilha do seu credo político

Antes, porém, em 1874, já se fazia literatura na terra macauense, servindo-se, para isso, das colunas do Correio de Açu, onde colaboraram Manuel Joaquim de Oliveira Praxedes e outros de difícil identificação.

Em, 1886, estava em Macau, um dos maiores  poetas do Estado, Lourival Açucena, frequentando vez por outra, as páginas do O Macauense,  de Elias Antonio Ferreira Souto.

DE então para cá, são inúmeros os jornais de feição política e literária quase fundaram para treinamento da mocidade macauense, mostrando assim que a cidade não estacionou, mas acompanhou o ritmo da sua evolução social, política e cultural.

Páginas 9 e 10 da obra Macau na poesia de Edinor Avelino de Walter Wanderley