Centenário do nascimento de Walter Wanderley: Macau de minh’alma, no teu esplendor,

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Ilustração de Leda A de Sa do livro Macau na poesia de Edinor Avelino de Walter Wanderley

Ilustração de Leda A de Sa do livro Macau na poesia de Edinor Avelino de Walter Wanderley

Macau de minh’alma, no teu esplendor,

                                                            Poesia de José Herôncio musicada por José Ribamar de Sousa                

 Uns amigos de Mossoró, certa vez, alta madrugada, chegaram àquele antigo bar na praça do Lido, no Rio de Janeiro, e viram numa mesa, copos e garrafas já vazios, violão mudo sob o peito arfante, aquele boêmio insone, certamente torturado pela saudade da terra ou pelo amor de uma mulher, e lhe disseram:

– E, você aí, toque “Macau de minh’alma”!

O seresteiro levantou-se como que movido por uma palavra mágica, abriu a fisionomia num largo sorriso e disse:

– Toco mesmo, pois sou de Macau, a melhor terra do mundo. Vocês são de lá?

Dadas as necessárias explicações, foi, então, feita uma seresta de músicas regionais, tocadas e cantadas até o amanhecer do dia.

E este o espírito de todo macauense, boêmio ou não, sempre em alvoroço quando lhe falam da terra do seu nascimento, especialmente se é mencionada aquela canção cheia de tanta ternura, versos de José Herôncio e musica de José Ribamar de Souza, que a fez ao despedir-se da terra quando veio para o Sul, assim o primeiro, prematuramente desaparecido, canção que tem estes versos que tanto falam ao nosso sentimento:

Macau de minh’alma, no teu esplendor,

Eu vejo a beleza da tua riqueza e do teu puro amor…

 

Páginas 91 a 92 da obra Macau na poesia de Edinor Avelino do escritor Walter Wanderley.