Centenário do nascimento de Walter Wanderley: Tem notícias de Macau?

0

“Ilha do bom destino, fantasia,

rosa do litoral belo e risonho,

que , ao doce luar, desmaia e silencia,

espiritualizada para o sonho.”

                                                             Edinor Avelino, poeta macauense

 

13 Leda A de SaEspiritualizada para o sonho, disse-o muito bem Edinor, e nada mais certo. Realmente, estar longe de Macau é ter o espírito permanentemente mergulhado num sonho, como tivera o poeta, pois a lembrança da terra é um permanente estado emocional de todos nós, dentro de um conjunto de coisas que dominam o nosso espírito, que pode ser utopia, visão, desejo, fantasia ou aspiração, mas que mora bem no fundo de nossa alma.

Sonhado? Não faz mal que sonhemos. Separados pelas distâncias que somam milhares de quilômetros ou milhas. Macau é este permanente estado de graça em que se encontram os que vivem torturados pela lembrança e pela saudade.

Dirão que tudo isto é sentimentalismo de velho. Talvez. E, aqui, vem a calhar o verso do poeta:

Tem notícias de Macau?

Quando acontece que essas indagações coincidem justamente com o nosso mais recente regresso da terra, damos todas as informações.  A conversa, então, se alonga no relato daquilo que vimos dentro de um realismo cruel. Terminada a conversa, cada qual para seu lado, sentimos que as informações da terra sejam aquelas sob o ponto de vista material. Mas, espiritualmente, para eles e para nós, Macau continua belo e risonho. É que amamos a terra com toda a força do nosso coração. Esse amor filial é uma constante em todos nós.

Milton Pedrosa, escritor mossoroense, no seu livro Passos Cegos, tem esta expressão que muito nos comoveu:

–Não podia sair de dentro de si mesmo….

É o que acontece conosco nesses sonhos ardentemente sonhados.

Páginas 89 a 91 da obra Macau na poesia de Edinor Avelino do escritor Walter Wanderley.