Uma poesia de Gilberto Avelino: O vaqueiro

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Uma poesia de Gilberto Avelino:  O vaqueiro

 

                                (A Woden Madruga)

 

VaqueiroCheiro dos marmeleiros em junho,

E a chuva no amanho das raízes da terra.

Do curral, a voz do vaqueiro se escuta

Sonora, grave, cava, tangendo o gado

Para o longo dos campos.

 

A sua sombra aparece, se alteia,

À luz do sol que nasce entre branco e vermelho.

No cavalo montando, alisa as clinas,

O pescoço afaga, com toda força

Do amor que corre nas veias.

 

À sela e as pernas se fixam e se sente seguro,

Buscando os desafios das matas fechadas:

A rês tresmalhada encontrando,

Ou o barbatão que cede à sua destreza.

 

Na vaquejada, o braço se alonga

Resplandecendo em aço na carreira de flecha.

Ao patrão oferece a primeira queda

Do boi valente de olhos de chamas.

 

A casa o acolhe na noite sossegada.

O alimento reparte com os seus

E o fiel cachorro de nariz aos ventos.

 

O sono chega profundo e denso,

Ao canto do aboio que vinha da garganta.

 

A noite clara sobre azuis andando,

E o cheiro dos marmeleiros em redor da casa.

 

Página 149  do Diário Náutico, Obras Completas – volume I  (O Navegador e o Sextante) do poeta Gilberto Avelino.