Segundo turno: só a militância leva à vitória

0

marcha-trabalhadores_agnaldo-azevedo_CUTDesde que o Partido dos Trabalhadores apostou nos marqueteiros –  Carta ao Povo Brasileiro — deixando a militância no segundo plano, pôde ganhar eleições e promover as mudanças necessárias para a melhor distribuição de renda. Isto é fato, mas hoje, o modelo marqueteiro esgotou-se e agora é a militância que pode fazer a diferença e levar o Partido à  vitória, o que não é pouco, pois ainda soam nos nossos ouvidos os xingamentos dos reacionários e o mundo amargo que viria quando da primeira vitória do Partido dos Trabalhadores em 2002.

Com a vitória, algumas correções são imprescindíveis tanto para o Partido dos Trabalhadores quanto aos demais Partidos da esquerda democrática que  não podem continuar reforçando as atitudes quase atávicas do conformismo e nem podem manter o discurso getulista  de “pai dos pobres”.  Estes Partidos não devem esquecer o seu compromisso com a educação política e precisam superar o messianismo que embrutece o povo brasileiro e que volta e meia reaparece, como agora nesta eleição com a Marina Silva.

É preciso avançar mais e mais e o Partido dos Trabalhadores não pode esquecer sua agenda progressista e não pode emascular os movimentos sociais, sindicatos e outras associações populares e mais, deve trazer para a participação social a grande parcela da classe média, que pensa fazer o bem com a filantropia das esmolas  que “nos finalmente”  só engorda o capital.

Mas, fundamental mesmo é a questão do orçamento do Estado que não pode continuar destinando parcelas  ínfimas para a saúde, educação e as demais necessidades da cidadania na busca de vida com dignidade para todos.  

Por fim, os Partidos da esquerda democrática precisam combater o consenso do fim da história que a burguesia  do neoliberalismo – hoje representada pelo PSBD e Partidos auxiliares — conseguiu impor sobre  grande parcela da população, via domínio da mídia.  Foi a falta de resposta a este consenso que deixou sem ação os Partidos da esquerda democrática  quando das  mobilizações populares de junho de 2013 e que a arte de Tom Zé revelou no “Calar a boca nunca mais”, abafada pela grande mídia. É preciso mostrar que existe vida além do capitalismo. Vida com dignidade para todos. Para todos.

De Claudio Guerra para o baú de Macau.