Aurélio Pinheiro [1882/1938] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

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Aurélio Pinheiro [1882/1938] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense; autor: Romulo C. Wanderley, 1965, Edições do Val Ltda., Rio de Janeiro (GB)

Páginas 224/225

 

Poeta e romancista, Aurélio Waldemiro Pinheiro era filho de Manoel Onofre Pinheiro e Maria Barbosa Pinheiro. Nasceu em São José do Mipibu, a 28 de janeiro de 1882.

Foi funcionário público no seu Estado, e médico pela Faculdade de Medicina da Bahia. Clinicou na cidade de Macau (R.GN.), mudando-se, depois, para o Amazonas (1910), fixando-se em Parintins.

No Extremo Norte, muito fecunda foi a atividade literária de Aurélio Pinheiro. Sua bibliografia coloca-o num destacado plano nas letras nacionais. Em 1928, publicou o primeiro romance: O Desterro de Umberto Saraiva; em 1927, Gleba Tumultuária (cenas e cenários do Amazonas).

Em 1929, a conselho de Coelho Neto, seu amigo de longa e cordial correspondência, vai para o Rio de Janeiro. Na então Capital Federal, escreveu mais o romance Macau, retratando figuras, coisas e acontecimentos da cidade dêsse nome, onde viveu alguns anos.

A propósito dêsse romance, Américo de Oliveira Costa, que ocupa na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras a cadeira de que é patrono Aurélio Pinheiro, escreve o seguinte:  “é o romance de uma cidade do nosso Estado. Será melhor dizer, de resto, numa cidade de nosso Estado. Pois há nêle, simbolicamente, um ar específico de ambiente provinciano, capaz de ser verificado noutras áreas urbanas de condições semelhantes. Particularizando, mesmo, a velha cidade litorânea, há, apenas, além das referências e subúrbios, salinas, o aterro, rua, praças e edifícios característicos, — a fisionomia de certos tipos e personagens cujos nomes de ficção não chegam a impedir o reconhecimento dos seus nomes civis ou de batismo.

Sob êsse aspecto, é êle um romance intencional, dentro de seu rótulo de romance de costumes, a melhor maneira da classificação. Embora precária “reprodução” do real e sim como quer Mauriac, numa “transposição” do real.

Decidi-me, por isso e afinal, pelo romancista de O Destêrro de Umberto Saraiva, mesmo com uma larga margem da obra ainda a percorrer. Posso agora dizer-vos que a minha intuição de sua exata importância intelectual, do admirável conteúdo de sua produção de escritor, não se equivocava. À medida que as minhas pesquisas e os meus esforços de aquisição total de seus livros e de suas páginas avulsas (sob este  ultimo aspecto esforço ainda continuado) iam obtendo resultados favoráveis, crescia a convicção de que a escolha do patrono, não ao escritor mas só a mim mesmo orgulhava e honrava, inclusive na parte que me cabia de ter conduzido como legenda para uma das cadeiras desta Casa uma figura realmente exponencial de nossas letras, tão pouco conhecida e amada como merece, — trabalho que constituiu, certamente, como ocorre a tantos outros, em situações idênticas, não apenas a sua paixão ou a sua alegria, mas também os eu tormento, a sua amargura ou a sua decepção.”

Em Natal, e antes de ir para a Bahia estudar Medicina, fêz parte da sociedade literária “Le Monde Marche” e da revista “Oásis”.

Além dos livros já referidos, Aurélio Pinheiro escreveu mais os seguintes: A Margem do Amazonas, Coleção Brasiliana da Cia. Editôra Nacional |(1937);Em busca do Ouro, Editôra A Noite (1938); Dicionário de Sinônimos da Língua Nacional, Rio, Brasil Editôra.

Depois de fixar-se no Rio, o escritor colaborou ativamente em revistas e jornais do Sul. Aurélio Pinheiro faleceu em Niterói, a 17 de novembro de 1938.