Francisco Pereira da Silva [1890/ ] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

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Francisco Pereira da Silva [1890/     ] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense; autor: Romulo C. Wanderley, 1965, Edições do Val Ltda., Rio de Janeiro (GB)

Páginas 164/168

 

Francisco Pereira da Silva(que, como parlamentar e homem de letras, é conhecido por Pereira da Silva) nasceu em Guamaré (Macau), a 7 de setembro de 1890. É filho de Manuel Pereira da Silva e Josina Ribeiro Pereira da Silva.

Menino pobre, estudou com a professora e poetisa Isabel Gondim, e fez o curso secundário no Colégio Santo Antonio.

Foi tipógrafo e jornalista em Natal, trabalhando nas oficinas e na redação de vários jornais, entre os quais “O Trovador” “O Arurau”, “A Tampa”, “O Voluntário”, “O Trabalho”, “Gazeta do Comércio”, “Diário do Natal”. No Rio de janeiro, foi redator do ”Correio da Noite”.

Indo para o extremo norte venceu na vida publica, nas letras e na política,

Assim é que foi Promotor e Justiça, Juiz, Diretor da Imprensa Oficial e da Instrução Pública, vogal do Conselho Municipal etc., no Território (hoje Estado) do Acre.

No Estado do Amazonas, tem tido destacada atuação política integrando a sua representação na Câmara Federal em três legislaturas.

Em 1938m publicou um livro de versos a que denominou Poemas Amazônicos, baseados em temas e lendas daquela grande e fabulosa região, e, a propósito do qual escreveu Jean Durian, num diário parisiense: “Son vers que ne paralysa point la riguer d’une forme étroit, bondit, danse allegrement dans l’ivresse  dionysiaque de la foi que lui procure une nature exuberante et misterieuse.

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Qu’il evoque le fleuve ou la forêt, il trouvê des images dont la sensualité s’acorde au rhythme pressenti de la nature feconde.”

 

Poema da seringueira

Lá, na tessitura da floresta primitiva,

Onde os olhos de Deus chegam  já tão cansados

A seringueira é a dadivosa mãe caritativa

Dos flagelados

Dos desesperados

Bandeirantes da fome e da desgraça.

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— Quem virá?

— Quem será?

 

É o seringueiro! É o homem moreno, caldeado

Pelo sol nordestino,

— Misto de trovador e de herói espartano –

Que sofre, dentro da selva, a nostalgia das caatingas.

E contemplando a bruteza dos rios

Te saudade dos “verdes mares bravios”

De sua terra. É o seringueiro,

Que vem chegando para o “corte”,

Vencendo o varadouro emaranhado,

Depois de atravessar igapós e restingas.

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