Luiz Gonzaga de Souza [1918/ ] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

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Luiz Gonzaga de Souza [1918/     ] no Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense (1965)

Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense; autor: Romulo C. Wanderley, 1965, Edições do Val Ltda., Rio de Janeiro (GB)

Páginas 56/57

Luiz Gonzaga de Souza, nascido no bairro do Pôrto do Roçado, em Macau, a 1º de abril de 1918, fêz seus estudos primários em sua terra natal, no Grupo Escolar “Duque de Caxias”. Os 1º e 2º anos do ginásio, no antigo Colégio Santo Antonio, e o restante no velho Ateneu, onde também fêz o curso clássico.

Perito contador pelo “7 de Setembro”. Bacharel pela Faculdade de Direito de Alagoas. Bacharel em filosofia (línguas neolatinas) pela Faculdade de Filosofia de Alagoas. Fêz Didática Geral e Didática Especial na Faculdade de Filosofia de Natal.

Publicou Fragmentos d’Alma (livro de poesias), aos 18 anos. Pertence à Academia Potiguar de Letras – Cadeira Moysés Soares.

Já ocupou o carto de Diretor Regional dos Correios e Telégrafos, dedicando-se também à Advocacia e ao Magistério.

Cantiga do Acalanto

“Senhora Dona Mestra

Coberta de ouro e prata…”

 

Era assim que eu cantava,

Quando em noites de lua …

Era assim que eu entoava

Essa mesma cantiga,

Cantiga de doce e amiga,

Que era o encanto maior da minha rua!

 

“Descubra o seu rosto

Quero ver a sua cara…”

 

E é noite de lua…

Um lindo bando,

Ingênuo e santo,

Canta baixinho

Lá fora na rua,

Essa mesma cantiga de acalanto!…

 

Do céu branco, de arminho,

Cai de leve, bem de leve,

De mansinho…

Quase em neblina,

U’a poeira muito branca, muito fina,

De neve…

……………………………………………………..

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Que saudades do meus primeiros anos!

Dos meus dias de franca ingenuidade.

Quando a vida era doce como as flores…

E eu nem pensava em tantos dissabores,

E em tanto tédio e em tantos desenganos!

………………………………………………………….

 

Se eu pudesse voltar a ser menino

E então sorrir mais doce prazer…

Sem pensar, um momento, no destino,

Na desgraça, ou na paz…

Eu pediria a Deus para morrer,

Antes de ser rapaz!…

 

Voaria para a doce eternidade

Ouvindo a voz amiga

De minha pobre mãe, cantando essa cantiga,

Tão cheia de poesia e de bondade…

 

Fugiria da vida no arrebol,

Num sonho breve,

Tal um floco de neve

Que se desfaz ao sol!…