Algodão, in : Scenários Norte-Riograndense, (1923), de Amphiloquio Camara

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Algodão, in : Scenários Norte-Riograndense,  (1923), de Amphiloquio Camara

Amphiloquio Camara Scenarios Norte Riograndenses 1923O porto de Macau entre os fins do século XIX e início do XX, era um dos pontos importantes da exportação do algodão, inclusive com a instalação de prensas de algodão na cidade. Na obra  Scenários Norte-Riograndense,  (1923), de Amphiloquio Camara, encontramos um registro interessante dessa cultura no Rio Grande do Norte.

 

“O algodão, sobretudo, que é a sua maior cultura, tem tido neste s últimos tempos  , um desenvolvimento  excepcional, abrangendo o seu plantio uma extensão de quatro milhões de hectares, aproximadamente, e a sua cultura é operada em nada menos de 32 municipios do Estado.  Tem o seu “habitat” na zona do Seridó, cujas terras admiravelmente se prestam para o plantio da variedade “mocó”, typo afamado, de fibra longa, onde o algodoeiro tem diuturna existência, produzindo e reproduzindo-se num período de dez ou mais annos.  Si com essas terras mais apropriadas do que em qualquer outra parte do mundo para a cultura de algodão, não o produziu, ainda, o Rio Grande do Norte de modo a desenvolver ao máximo essa sua grande riqueza, é que lhe têm faltado elementos de auxilio. Além da escassez de braços, é completa a falta de uniformidade de fibra, porque, sendo o trabalho de produzir exemplares de semente para, um ramo scientifico da agricultura, o cultivador comum não é apto a empreendel-o por si só. Esse inconveniente só se corrige com a creação official de núcleos technicos, para prover de sementes os cultivadores familiarizando os plantadores com todos os detalhes da cultura. Foi o que, felizmente, fez, agora, o Congresso Federal, por sugestão esclarecida do eminente Deputado Dr. José Augusto, creando uma Estação Experimental na zona mesmo do Seridó, com o que não só lucrara o proprio Estado com a economia do paiz (1).”